O NEASR tem o objetivo desenvolver estudos e pesquisas sobre a temática camponesa regional, contribuindo para identificar e analisar limites e possibilidades das políticas públicas; estudos voltados para identificação e diagnóstico da condição de vida e de trabalho dos trabalhadores (as) rurais; promover a divulgação de suas atividades e; manter registros atualizados de documentos relacionados ao campo.
Coordenador: Prof. Me. Antonio Barbosa Lúcio
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neasr.uneal@gmail.com
O Núcleo de Estudos Agrários e Movimento Sindical Rural em Alagoas-NEASR, realizando pesquisas voltadas para Camponeses Alagoanos, teve 04(quatro) trabalhos aprovados no III FÓRUM BRASILEIRO DO SEMIÁRIDO que acontecerá de 18 a 21/05/2011 na Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA/Sobral-CE. O Fórum, tendo como o tema: “educação contextualizada, natureza, técnicas, cidadania e diversidade cultural” constitui evento de divulgação de pesquisas científicas no Brasil.
O NEASR, Coordenado pelo Prof. Me. Antonio Barbosa Lúcio/Campus I, com a linha de pesquisa “Estado, Movimentos Sociais e Educação no Campo” realiza, atualmente, pesquisas com alunos dos cursos de Letras, Biologia, Matemática e História sobre camponeses no Estado de Alagoas. Possui pesquisas sobre as condições de trabalho nas áreas canavieiras de Alagoas, sindicalismo rural alagoano e educação do campo.
Trabalhos aprovados III FÓRUM BRASILEIRO DO SEMIÁRIDO:
1-FRONTEIRAS DA IGUALDADE NO ENSINO FUNDAMENTAL: UMA PROPOSTA DE ANÁLISE DE INDICADORES DA QUALIDADE DO TRABALHO DOCENTE- Prof. Me. Antonio Barbosa Lúcio (professor de Sociologia UNEAL/NEASR).;
2-O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA NO CAMPO: VARIAÇÃO LINGUÍSTICA X GRAMÁTICA NORMATIVA- Erinaldo da Silva Santos (bolsista voluntário NEASR/UNEAL; Josefa Mendes da Silva (bolsista FAPEAL/UNEAL/NEASR); Antônio Barbosa Lúcio(professor de Sociologia UNEAL/NEASR);
3-O DESCASO DA EDUCAÇÃO DO/NO CAMPO: AS DIFICULDADES ENFRENTADAS POR PROFESSORES E ALUNOS DA ESCOLA NO CAMPO NO INTERIOR DE ALAGOAS (UM ESTUDO DE CASO)- Elâine Fernandes dos Santos (Bolsista voluntaria UNEAL/NEASR); Josefa Mendes da Silva (bolsista FAPEAL/UNEAL/NEASR); Antônio Barbosa Lúcio (professor de Sociologia UNEAL/NEASR);
4-Educação do(no) Campo e Trabalho: caminhos que se cruzam- Marcelo dos Santos Barbosa (bolsista voluntário UNEAL/NEASR); Antonio Barbosa Lúcio (professor de Sociologia UNEAL/NEASR).
Os trabalhos acima relacionados estão voltados para refletir o papel da educação que é desenvolvida no campo no Estado de Alagoas. Buscam demonstrar que em um Estado que possui índices negativos em termos educacionais, a situação das escolas do(no)campo, é muito mais grave. Governos municipais, parecem corroborar com uma forma de exclusão social sistematicamente continuada de, ou manter escolas, sem as mínimas condições de funcionamento ou de ensino ou transferindo alunos para as sedes dos municípios, geralmente utilizando a “desculpa” da quantidade insuficiente de alunos. Tal postura assinala uma visão ideológica de exclusão. Além disso, professores, apesar de tentativas melhorias na forma de ensinar, não conseguem compreender a necessidade de contextualização da educação praticada no campo com a realidade dos alunos.
I ENCONTRO DE PESQUISA CIENTÍFICA-CAMPUS IV-SÃO MIGUEL DOS CAMPOS/AL
de 16 a 18 de Agosto de 2010
Foram apresentadas comunicações orais, resultado de pesquisas orientadas pelo Prof. Msc. Antonio Barbosa Lúcio, em Sociologia da Educação: O Prof. Msc. Antonio Barbosa Lúcio apresentou a pesquisa "Análise das condições de ensino e de trabalho em escolas no campo, em português e inglês, no agreste alagoano." Esta pesquisa, é um subprojeto da Pesquisa “educação do(no) campo: análise das condições de funcionamento e de ensino em escolas rurais no Estado de Alagoas”, Coordenada pelo Professor Antonio Barbosa Lúcio, com a colaboração dos alunos de Letras e Matemática da Universidade Estadual de Alagoas e, objetiva, tanto incentivar alunos dos respectivos cursos em pesquisar e analisar as condições de ensino e de trabalho como propiciar a organização de arquivos de entrevistas com alunos e professores de Letras-português, inglês e francês e matemática, bem como arquivos fotográficos das escolas analisadas no Estado de Alagoas. A pesquisa foi realizada em 40 escolas localizadas no campo. Optou-se por analisar escolas camponesas pelo fato de que, geralmente, não possuem condições de trabalho e de ensino, dificultando e, por vezes, impossibilitando, uma educação de qualidade. Os resultados parciais, apontam que a rede pública rural em Alagoas, possui as piores condições de funcionamento que as escolas urbanas. Ou seja, se o Estado de Alagoas é reconhecido como o que possui ensino de qualidade inferior aos demais Estados, inclusive, de acordo com dados do IBGE, do MEC/INEP, as escolas localizadas no campo, estão em níveis ainda piores, com falta de condições de funcionamento, ausência de acesso a informática, salas inadequadas, salários insuficientes( a Lei do piso salarial nacional para professores não parece funcionar em Alagoas), a quase ausência de material didático básico, inclusive com quantidade insuficiente de livros didáticos de português e matemática e a inexistência de livros didáticos de inglês e francês. As bibliotecas na maioria das escolas pesquisadas são quase inexistentes e, quando muito, existe uma sala de leitura com poucos livros(geralmente didáticos, fruto de devolução dos alunos de séries já estudadas). Geralmente existem retroprojetores, TV e DVD, mas que são poucos utilizados, por vários fatores: por não funcionar adequadamente, não possuir a mídia ou não possui material adequado, como por exemplo, a transparência. Os professores raramente fazem cursos de aprendizagem contínua, devido os orgãos governamentais não oferecerem. Quando oferecem, geralmente é em português e matemática, mas quase nunca em inglês ou francês. Além disso, os cursos não são adequados a realidade do campo e, todos os professores entrevistados, disseram que não sabiam como adequar o ensino a realidade camponesa, tanto devido ao fato de que não virão nas Universidades que cursaram, como nos cursos que são ofertados pelo poder público. A maioria absoluta dos professores entrevistados não conhece os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para a disciplina que trabalham e, todos, desconhecem os PCN's para escolas do campo. Nessa realidade de descaso educacional que os trabalhos abaixo estão inseridos. As pesquisas foram realizadas por alunos do 4º e 7º ano de Letras da UNEAL, Campus I, na disciplina Sociologia da Educação II. Os alunos integrantes do NEASR estão desenvolvendo outra pesquisa em outras escolas, como relatado em outro momento neste site.Abaixo, os resumos dos trabalhos apresentados:
ANÁLISE DAS CONDIÇOES DE ENSINO E DE TRABALHO EM ESCOLAS NO CAMPO EM PORTUGUES E INGLES NO AGRESTE ALAGOANO
Antonio Barbosa Lúcio ablucio1@yahoo.com.br
RESUMO O texto analisa as condições de ensino e de trabalho em escolas do campo em português e inglês em escolas do agreste alagoano. Demonstraremos as principais dificuldades apontadas por professores e alunos de escolas no campo da rede pública municipal de ensino. Temos como hipótese de trabalho que as condições de ensino e de trabalho insuficientes e inadequadas tendem a propiciar desinteresses no processo de ensino-aprendizagem e que, na educação no campo, o ensino descontextualizado, sem levar em consideração a realidade dos educandos, tende favorecer um tipo de educação que não representa condições de reflexão para a vida cotidiana dos alunos. Para tanto, utilizaremos a análise qualitativa. Nesta, utilizaremos a entrevista, através do uso de questionários semi-estruturados com 05(cinco) professores e 25(vinte e cinco) alunos nas respectivas disciplinas nos municípios de Arapiraca/AL. No caso dos alunos, serão escolhidos aleatoriamente. Os questionários para professores e alunos terão por base: organização física da escola; formação e compreensão do professor em relação à escola e o desenvolvimento dos alunos; compreensão dos alunos sobre a escola e as disciplinas analisadas. Para tanto foram utilizados questionários e gravadores de voz. Os resultados das entrevistas terão como foco de análise a busca para além do que o entrevistado relata, estabelecendo relações com o conjunto que envolve tanto o sistema de ensino, organizado pelas secretarias de educação, como as relações internas que envolvem a organização escolar e as atividades de ensino em português e inglês. Como resultados, demonstraremos que o ensino de português e inglês nas escolas no campo analisadas, possui dificuldades tanto em relação aos processos de ensino, centrados nos empecilhos que entravam as relações educacionais, como em relação à inadequabilidade a realidade do campo. Assim, a escola, os professores e os alunos, não parecem compreender o papel do ensino no campo e este, tende a ser visto como reprodução do ensino urbano.
EDUCAÇÃO DO/NO CAMPO: UM DIREITO GARANTIDO POR LEI E DESCONHECIDO PELOS CAMPONESES
Elâine Fernandes dos Santos Josefa Mendes da Silva Professor Orientador: Msc. Antônio Barbosa Lúcio
Resumo Este trabalho tem por objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa bibliográfica e de campo que visa mostrar a realidade da escola de ensino fundamental Professor Lourenço de Almeida, localizada no Povoado Bálsamo, zona rural de Arapiraca-AL. Especificamente, objetiva identificar quais as dificuldades enfrentadas pelos alunos e professores de Língua Inglesa e Portuguesa, que como outros tantos da zona rural, enfrentam problemas a serem superados. O ensino oferecido à população camponesa difere do da zona urbana o que ocasiona uma desigualdade de ensino-aprendizagem entre campo/cidade e essa situação se agrava com a quase ausência de políticas públicas voltadas para a realidade campesina. Para essa pesquisa fizemos uso do método qualitativo com uma análise das escolas do campo, exclusivamente, da escola acima citada. Para a coleta dos dados utilizamos entrevista semi-estruturada com o auxílio de gravador, roteiro flexível e observação do ambiente escolar. Os questionários continham, aproximadamente, 50(cinquenta) questões que foram respondidas pelos 05(cinco) alunos e a professora entrevistados. Os resultados demonstram que a escola alvo de nossa pesquisa enfrenta problemas como: difícil acesso à escola, principalmente no período das chuvas; falta de capacitação para os professores; conteúdo inadequado à realidade dos alunos; professores tendo que se deslocar da cidade para o campo, fatores que interferem no desenvolvimento intelectual do aluno. Pelo exposto percebe-se que o descompasso existente entre o modelo de ensino campo/cidade além da precária situação sócio-econômica e as dificuldades diárias que os entrevistados enfrentam agravam, ainda mais, os problemas já existentes na educação no campo prejudicando a aprendizagem dos educandos. Espera-se que este trabalho contribua de alguma forma para a reflexão sobre os problemas mais frequentes nas escolas do campo, particularmente na escola estudada, e, assim, seja possível buscar possíveis soluções para que tais problemas possam ser contornados.
Antônia da Silva Santos toniass84@yahoo.com.br Cíntia de França Silva Cintia-cfs@hotmail.com Orientador Prof. Msc. Antonio Barbosa Lúcio ablucio1@yahoo.com.br
RESUMO Este trabalho, realizado em uma escola da zona rural do município de São Sebastião-AL, foi viabilizado mediante pesquisa de campo e bibliográfica, objetivando analisar as condições de trabalho e de ensino de Língua Portuguesa em uma escola no campo. Acredita-se que os conteúdos não levem em conta aspectos inerentes à realidade dos alunos. Concluída a pesquisa, constatou-se que o ensino de língua portuguesa no campo está descontextualizado, não apenas da realidade desse ambiente, mas de qualquer realidade, já que as aulas são quase restritas ao ensino de normas gramaticais. Constatou-se que os professores de língua materna não tiveram na formação acadêmica, direcionamento para a educação no campo, embora existam leis que regulamentem que o ensino deve partir da realidade dos discentes, e mesmo quando há formação continuada nesse aspecto o professor não aplica esse conhecimento, já que não tem autonomia para selecionar os conteúdos.
Palavras-chave: educação no campo; ensino descontextualizado; formação continuada; políticas públicas; Língua Portuguesa.