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terça-feira, 6 de outubro de 2009

E se a ditadura Hondurenha fosse no Brasil

E se algum "desavisado" achar que a investida da elite latino-americana poderia ser ampliada para toda a América Latina? Não seria a primeira vez que tal situação ocorreria e, não seria a primeira vez que os EUA apoiariam tal situação. Por mais ignorantes que sejamos sobre questões internacionais, acredito que ninguém tem dúvida de que os Estados Unidos da América do Norte, não exitarão em tentar manter sua hegemonia. Essa falácia de que por ser negro( o Presidente), a situação seria diferente, sinceramente é descabida. Negro, branco, mulher, gay, etc., etc., são apenas faces da mesma moeda quando agem em defesa do Capital. Assim, reproduzem a estutura vigente de dominação quando acreditam que seria a etenia ou gênero, que resolveria o problema existente na socidade capitalita. Repito, negro, gay, mulher, branco que não se posicione em relação a sua classe, a de trabalhadores, tenderão ser reprodutores do sistema capitalista, tendo em vista que socialmente, é preciso medir o grau de comprometimento dos índivíduos em relação a sua posição de classe.


E, se a ditaduta hondurenha fosse no Brasil? Veríamos uma elite tacanha, oficialmente adormecida(mas que não exitaria em acordar) tendo em vista que o governo Lula resolveu apaziguar as relações existentes de exploração e dominação. Não exitaria em acirrar suas garras, exigindo seus preceitos legais(criados por ela mesma) ou estabeblecer sua força belial e, mais do que nunca, fortalecendo seus interesses econômicos por via midiática. Essa elite tacanha, de feição escravocrática, no Brasil, não exitaria em denunciar os "exageros" da classe trabalhadora(ocupação, "invasão" ou mesmo exigência salarial condigna com a necessidade humana). O Governo Lula, com sua aparência social, seria colocando ao "abandono" a não ser que tendesse a continuar com sua política assistencialista. A elite brasileira não suportaria qualquer avanço social. Foi ela que dificultou (e dificulta) avanços na educação; estabeleceu medidas voltadas exclusivamente para o assistencialimo, a exemplo do bolsa família; e, assegurou, atraves do sistema de subserviência, relações de manutenção do processo de perpetuação das desigualdades sociais mantendo sob a égide do capital, o predomínio da exclusão social, levando aos "auxiliados"o entendimento de que deveriam acatar a ordem vigente.


a ELITE Hondurenha, não seria diferente da brasileira. Há aparente diferença, estaria no simples fato de que, no Brasil, não mais estaria tendo dificuldades em continuar seu processo de dominação, tendo em vista que o governo Lula procurou beneficiar o sistema financeiro e, por tabela, as demais formas de organização capitalista. Este governo, optou pela solução mais fácil: agradar ao capital. Sob interpretação equivocada de Marx, passou a acreditar que a "via eleitoral" poderia " abrandar" os ímpetos dos capitalistas. Conseguiu com isso, ampliar as desigualdades sociais e, ao mesmo tempo, dificultar ações voltadas para um processo de transformação. Ou seja, esse governo, apesar de suas aparentes tentativas de melhorias sociais, a exemplo do bolsa família ou assemelhados, voltados para aparente distribuição de renda, manteve a exclusão social, ao distribuir, de forma absurdamente desigual, recursos do governo federal entre o setor financeiro e a grande parte da população. Ao primeiro, tudo, incondicionalmente, ao segundo, migalhas para mante-los vivos. O capital precisa de trabalhadores em condições de trabalho e, ficar vivo é uma condição necessária.
Se até agora apontamos culpados, ou possíveis culpados, atentamos para o fato de que, numa sociedade de orientação capitalista, grande parte da população é, de certa forma, vítima do sistema. Ou seja, seria aquele grupo que Marx chamou de "pequena-burguesia" que, necessariamente, não entenderia a sua condição de classe( ou é conveniente não entender). Esta, como em honduras, avessa a qualquer possibilidade de mudança, temerosa do agravamento de sua condição social, tendeu a aceitar a ordem vigente, mesmo que contrária aos interesses sociais previstos em sua própria Constituição. Não se questiona, até então, como as Constituições são construidas. Parece que as leis são feitas ao acaso ou são obras divinas, a luz de seu próprio Deus, o dinheiro.
Se a mentira prevalece, a verdade, passa a ser uma questão dúbia. Pode até parecer difícil perceber como a elite poderia agir visando modificar a verdade, vejamos: bastaria, apenas inverter a realidade, utilizar os meios de comunicação deturpando os acontecimentos sociais. Como em um quadro, tudo estaria pronto para apresentar um modelo de sociedade que, dentre outras coisas, falsificasse a realidade. Assim Ditadura, passa a ser conhecida na grande mídia como "governo de facto"e, governo eleito pela população, passa a ser visto como Ditador. Fácil, não?Em um passe de mágica, a verdade passa a ser transmutada. Daí, para criminalizar os movimentos sociais, não estaria longe. Bastaria que Deputados e Senadores, conhecidos pela defesa do Capital, utilizem seus "poderes" visando a manutenção do "status quo" das elites dominantes e que a mídia coloque em destaque seus desatinos, inclusive, descaracterizando a função dos poderes, ridicularizando-os socialmente. É bem verdade que não é preciso muito esforço para isso, mas a questão estaria como um Estado ridiculariza suas próprias instituições. Quais os interesses? Tenta-se afastar a população do efetivo poder de decisão.
Se, atualmente, a Ditadura no Brasil parece distante; se o processo de repressão estatal aparetemente não é visível, essa situação apenas não é perceptível por aqueles agrupamentos sociais que, dentre outras coisas, não sentem os problemas sociais vigentes no país, ou seja, a chamada pequena-burguesia ou a própria burguesia. Aquela, geralmente, é responsável, mesmo que indiretamente, pela situação de miséria e de exploração existente no país. No fundo, esse grupo geralmente ignorante(e ignorado enquanto causador das mazelas sociais), tende a apoiar a elite dominante. Ignorância ou certeza, é a elite formadora de opinião, geralmente, tendenciosa aos interesses econômicos da elites econômicamente dominantes, que prevalece no conjunto das opiniões sociais. Para a população empobrecida, os direitos elementares da democracia foi para o espaço. Apenas não possuem ou jamais possuírão: educação, saúde, moradia, emprego, salário digno etc., etc., etc..
A ditadura à brasileira, estaria focada na omissão dos setores formadores de opiniões. Estes insistem que não estamos em uma fase de consolidação de interesses prioritários dos grupos hegemônicos das elites econômicas e políticas no Brasil. Entretanto, espero que, quando as elites perceberem a dimensão que blogs sociais atingem no seios da sociedade, não " resolvam regulamentar" suas ações, dificultando sua difivulgação no seio da sociedade brasileira. Acham que estou exagerando? Esperem e verão!Desejo que ninguem proiba o poder da palavra, pois sei que, na verdade, o poder de ser contrário a hegemonia estatal e privada, há muito foi proibido.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

MOVIMENTOS SOCIAIS E A LÓGICA DE EXCLUSÃO CAPITALISTA NO BRASIL

Antonio Barbosa Lúcio
A estrutura agrária brasileira, viciada em favorecimentos estatais, permanece intacta após anos de acirrada luta. No período colonial, houve extensa legislação voltada para a proteção latifundiária. Se naquele período, a terra era um ingrediente a mais, para estabelecer o poder dos grandes proprietários de escravos, visando a produção agroexportadora, a partir do início do Brasil Império, com a ascensão da burguesia, da lógica liberal de conceber a sociedade e, da supremacia do capital sobre o trabalho, a terra passa a ser considerada, no Brasil, uma necessidade para manter a estrutura de dominação vigente. Assim, a Constituição de 1824, passa a estabelecer a propriedade privada como uma necessidade do Império. Mais que isso, uma necessidade dos proprietários sobre os trabalhadores. Mantém-se intacto o sistema de propriedade, inclusive, o de seres humanos. Ao mesmo tempo, favorece a manutenção do processo de dominação do capital estrangeiro, primeiro sob o domínio imperialista da Inglaterra e, paulatinamente, dos Estados Unidos.

Nesse meio termo, os movimentos sociais, especialmente aqueles que faziam parte dos interesses populares, como algumas revoltas regenciais, ou as do segundo império, vão sendo continuamente destruídas sob a lógica do poder oligárquico. Este, não exitava que assassinar quem se colocasse contrário aos seus interesses. Estabeleceu a forma que até hoje prevalece na estrutura agrária brasileira, através da Lei de Terras de 1850, deixava claro o poder de compra como a forma de propriedade e que o Estado brasileiro deveria defendê-lo. Ao contrário, a tal política excludente, especialmente, para a população empobrecida e escravizada, o Estado se apresentava com toda a sua força utilizando o poder repressivo, através de seu exército e a sua capacidade de condenar aqueles que não coadunavam com a forma de exclusão que ora se apresentava. O certo foi que a maioria da população não pode ter acesso ao principal bem de produção da época, tendo em vista que o Estado regularizava a apropriação indevida de grandes quantidades de terras, entregues especialmente aos amigos do poder.


Assim, diversos movimentos sociais, geralmente de caráter espontâneo, surgiram como forma de contestação dos interesses das forças opressoras. A exemplo de Canudos, todos foram dizimados com extrema crueldade. Não estava em jogo apenas a propriedade de terra, mas a ousadia de pequenos camponeses pobres contestar os interesses da elite econômica. Esta tratou de passar para as gerações futuras, a concepção de que essas pessoas em visionárias, messiânicas, fanáticas, loucas. Buscou-se apagar das mentes das futuras gerações qualquer menção ao camponês que luta pela terra, como seres demandantes de direitos. O Estado de orientação positivista, apenas percebia a sociedade como um corpo orgânico, tendo as elites como encabeçando o processo social, como dirigentes máximos da nova sociedade que se pretendia fazer surgir. Ideologicamente, promove-se o enfraquecimento da população, o afastamento das escolas, a manutenção e distanciamento do acesso a terra e a direitos. A legislação que passou a ser preparada deveria representar os interesses desses agrupamentos privilegiados, supostamente superiores. Aproveitava-se das incipientes condições de aprofundamento teórico proporcionado a população, para acirrar divergências, impulsionar o clientelismo e, favorecer, o assistencialismo entre a população carente de tudo.

A lógica de desenvolvimento social impetrada pelas elites brasileiras necessitava ser aquela aonde não houve reivindicações, lutas, revoltas, revoluções. As elites, geralmente religiosas, também defendiam a cultura da paz, desde que esta estivesse sob a forma de aceitação da condição de miserabilidade "permitida" por Deus aos pobres pecadores. Estes deveriam conhecer e reconhecer seu lugar na estrutura da sociedade. Não como vencidos, mas como pessoas que não tiveram a sorte de galgar postos mais elevados na sociedade.


Como a essa situação não pode ser constantemente reeditada, tendo em vista que revoltas “pipocavam” contra as formas de dominação oligárquica surgiam por todo país, a exemplo, revolta da chibata (1910), Revolta da Vacina (1904), Contestado (1912 a 1916), do Cangaço, a Sedição de Juazeiro (1913). A reação das elites não demorou a surgir quer através da cooptação de suas lideranças, assassinatos em massa ou aproveitando-se, por vezes, do espontaneísmo desses movimentos para minar suas forças. O certo foi que não houve perdão. Ninguém poderia ousar em confrontar os grupos dominantes e ainda continuar vivo.

A legislação brasileira se aperfeiçoa e, mais uma vez, no Período Vargas, trata-se de envolver os movimentos sociais sob a tutela do Estado. Engessam-se esses movimentos, legalizando-os e excluindo-os do processo de luta social. A propaganda oficial, utilizada por importantes meios de comunicação da época, como o rádio e os púlpitos das Igrejas, clamavam a busca pela paz, em uma época de prosperidade. Mesmo assim, a partir da década de 1940, movimentos de posseiros no sudoeste do país e Ligas camponesas no Nordeste, apontavam que a tão esperada paz, teria sido realizada com o sangue e suor de milhares de camponeses. Publicizavam as condições de vida e de trabalho de milhares de camponeses empobrecidos, forçados ao assalariamento, expulsos de suas terras, sem rumo destinando-se ao mundo desconhecido das cidades. A esses movimentos juntaram-se outros. Sob a lógica desenvolvimentista impetrada a partir da década de 1950, de feição industrial, ao forçar a população ao assalariamento nas indústrias criavam outras formas de dominação e de exclusão social. Mantinham-se milhares de ex-camponeses em favelas nos arredores dos setores industriais, arregimentavam-se milhares de trabalhadores nordestinos para as grandes cidades, especialmente São Paulo, voltando-os para a construção civil. Destino de milhares de pessoas, quase todas analfabetas e sem perspectivas em sua região de origem. Os novos movimentos sociais urbanos buscavam, também, moradias, educação, saúde. Os movimentos rurais estavam centrados na reforma agrária, recursos financeiros, condições mínimas de sobrevivência no campo.


As elites agrárias e urbanas trataram de conter as lutas populares. Primeiro, tomando o poder sob a forma de Ditadura Militar. Utilizavam, novamente, a lógica do poder a qualquer custo, não exitaram em assassinar e torturar. Ao mesmo tempo, ampliam a escola de massa visando, sob sua lógica, manter a população empobrecida distante da possibilidade de atingir o chamado “topo da pirâmide”. A massificação do ensino, antes um reivindicação dos movimentos sociais em geral, passou a ser uma bandeira dos economicamente privilegiados, transformando as escolas, em locais excepcionais de contentamento social. Não foi propiciada a qualidade de ensino e, os cursos de técnicas para o trabalho afastavam grande parte da população do acesso a Universidade.


A lógica dual de escola deixava claro quem poderia ser dirigente e quem seria o dominado. Milhares de camponeses são jogados em escolas urbanas, de orientação para a produção capitalista. Essa nova lógica estaria, tanto em manter os trabalhadores afastados da possibilidade de conhecimento, como voltados para a aceitação de suas condições. Visa-se, portanto, a não ampliação de movimentos sociais reivindicatórios, tendo em vista que grande parte das ditas conquistas sociais estariam sendo paulatinamente resolvidas. Mesmo assim, a estrutura de dominação que passou a ser organizada a partir do Brasil Colônia, não teria sido modificada. Percebe-se que sob os parâmetros do século XIX onde o Brasil possuía média de vida de cerca de 30 anos; no primeiro triênio do século XX cerca de 37 anos, e a partir da década de 1970 a partir de 60 anos, apesar de crescente não atingia a toda a população, ao mesmo tempo que demonstrava que viver ou morrer também depende da forma como a sociedade distribui as riquezas a sua população. Os parâmetros dos pais anteriores a década de 1970, passam nos atuais a redimensionamentos, não aceitando, em parte, que agrupamentos sociais privilegiados possuam condições acima da média em todos os períodos da História brasileira.


Os novos movimentos sociais, contidos com bastante força pelas elites dominantes, através de uma política ideologizante impregnada na escola, nos jornais, revistas, internet e televisão, demonstra apenas que essa elite possui condições de tentar perpetuar suas ideais como dominantes na sociedade, mas também, que essa mesma sociedade pode, a partir de formas alternativas suplantar o controle massivo impetrado sob a lógica da dominação.


Além disso, a elite não deixa de reutilizar as velhas formas de dominação. Mantém-se o poder de polícia sobre a população empobrecida; a manutenção do poder judiciário sob a lógica da perpetuação da Lei sobre os homens. Esquece-se que a Lei foi elaborada por seres sociais e sua interpretação depende, também, que estes aceitem a submissão como regra. Ou seja, para haver o Estado absoluto hobbesiano seria necessária a completa aceitabilidade por todos dos ditames ditos legais. Esquece-se, também, que a ideologia positivista de orientação organicista foi uma invenção das elites dominantes e, como toda percepção idealista, não parte da realidade, não pode ser perpetuada eternamente. Ao partir de uma falsa realidade e, ao tentar a todos convencer, as elites econômicas brasileiras não percebem ou não querem perceber a dialética existente na realidade social.

Montam um mundo imaginário, sem movimentos sociais; confrontos políticos entre as classes; contentamentos com escolas excludentes; postos de saúdes inexistentes; salários defasados e não condizentes com a manutenção da vida. Esse mundo ideal começa a ruir. O Estado passa a defender suas elites e, ao mesmo tempo, nutri a esperança que ninguém se posicione contrário. Desde Rousseau, com sua democracia elitista, essa situação não perdurou por muito tempo. O Brasil é exemplo disso! As várias tentativas de conter as populações, apenas serviram para manter hibernando por longos ou curtos períodos a necessidade de sobrepor os interesses dominantes. Não conseguiram calar definitivamente as diversas vozes que ressoam no intransigente mundo da exclusão social.

Se os brasileiros, em sua maioria, ainda não estão sabendo como acordar desse longo período de hibernação, as próprias elites, em sua ânsia para proteger o capital, destruindo a tudo e a todos, tende a favorecer mudanças. Mesmo com a utilização de políticas assistencialistas, revestidas como distribuição de rendas, passam a ser questionadas quando milhares percebem que os recursos públicos estão sendo, agora sim, distribuídos aos banqueiros, setores automobilísticos setor sucroalcooleiro, grandes latifundiários, etc.. Novas formas e velhas formas de confisco social são continuamente reeditadas. Parte da população atônica, ainda não sabe o que fazer. Alguns debandam para a criminalidade sem aquela visão do Banditismo Social dos séculos XIX e início do século XX, mas como uma forte reação ao poder desefreado dos grupos economicamente dominantes. Lamentamos os equívocos sociais, mais estes são engendrados pela própria lógica de exploração.

Entretanto, no Brasil agrário a esperança continua a persistir. Milhares de brasileiros, geralmente honestos, buscam reeditar velhas formas de superação da desigualdade. Passam a realizar tentativas de reforma agrária e, ao mesmo tempo, questionam a estrutura agrária brasileira. A elite dirigente e economicamente desenvolvida, teme não apenas a reforma agrária, pois, de certa forma, percebem que ela não pode ser contida. Temem, especialmente, a ampliação do processo de expansão as avessas, ou seja, que os brasileiros urbanos e rurais, passem a exigir o direito de viver dignamente com o resultado do seu trabalho, que se recusem a aceitar as migalhas assistencialistas. Temem que satisfeitas algumas necessidades, passem a exigir que as demais sejam concretizadas. Ficam preocupados que satisfeitas as necessidades de acesso a Universidade, por exemplo, queiram, também, o acesso aos bens que ela pode favorecer, especialmente como proporciona a alguns setores da sociedade.


O grande medo da elite econômica brasileira, não estaria em favorecer algumas condições de melhorias de vida. Já realizaram com o chamado Estado do Bem Estar Social. Mas perceberam que a população não pode ser enganada continuamente. Tentou modificar tudo, revogando direitos conquistados a força pelos trabalhadores. Apesar de constantes avanços nesse sentido, não consegue conter os movimentos sociais. No Brasil, sabe-se a força do povo, pois se localiza rodeado em um “barril de pólvora” chamado América hispânica. As cidades brasileiras possuem pequenos bolsões de riquezas, circulados por grandes bairros periféricos de estrema pobreza. As elites, apesar de constantes tentativas, não conseguem contê-los, tendo em vista que é de sua natureza o constante afunilamento das riquezas sob o poder de poucos e, o crescente poder numérico das classes menos privilegiadas. O poder numérico, pode se transformar em poder político. Eis o grande temor das elites diante os movimentos sociais!

domingo, 23 de novembro de 2008

O ENEM E O ESTADO DE ALAGOAS

Antonio Barbosa Lúcio
O ENEM 2008( Exame Nacional do Ensino Médio) retrata uma realidade que precisa ser reavaliada. Alagoas, mais um vez, apresenta os piores indicadores educacionais do país. Entretanto, dados estatísticos são apenas dados se não forem devidamente analisados.


Parece que Estados nordestinos competem para verificar qual dos Estados estará em pior condição um pouco acima do Estado de Alagoas. Entretanto, gostaríamos de ressaltar como, de fato, Alagoas se tornou o Estado em piores condições econômicas para a sua população.


É preciso observar que aquele Estado, possui uma economia dinamizada. Na região Nordeste, oscila entre a terceira e quarta economia. Entretanto, sua população, em todos os indicadores sociais, é representada como a que possui maiores indices negativos.
Este fato, não pode ser desvinculado dos indicadores de exclusão social. O Estado de Alagoas possui o pior IDH do país( nos três itens avaliados). Possui, também, uma das maiores concentrações de terras( cerca de 65% são latifúndios); não possui indústrias suficientes que atendam a demanda de jovens desempregados; não atende, educacionalmente, a quantidade de alunos que necessitam de formação, tanto no ensino fundamental como no ensino médio.


O governo brasileiro, apesar de insistentes pesquisas demonstrando a situação caótica do Estado de Alagoas, apenas parece explicitar a intenção de que a concorrência deve ficar , simplesmente, em qual Estado não perderá para Alagoas. Neste Estado, o dinheiro público parece se esvair. Atualmente, e somente atualmente, algumas denúncias por parte da Polícia Federal, ecoam, sem, entretanto, possuir efetiva eficiência. As políticas públicas, como em todo o país, se detêm no assistencialismo. Este, ignora as condições socioeconômicas da população. Prevalece interesses pessoais, de orientação eleitoreira. Daí a manutenção de condições precárias de vida e, tendo como resultante, índices educacionais negativos.

Alagoas é o Estado abandonado dentre todos os Estados da Federação. Entretanto, seus políticos, a exemplo de décadas anteriores, possuem força política suficiente para que não sejam questionados. Naquele Estado, dois presidentes da República se fizeram presentes: Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Estes representavam não o Estado de Alagoas, mas as elites econômicas brasileiras, tanto do setor industrial como o agrário-exportador. Na ditadura Vargas, a Família Góis Monteiro possui importante papel, desde favorecer militarmente, através do Coronel Góis Monteiro, a ascensão de Vargas ao poder, a sua destituição do mesmo poder em que foi colocado, sob o comando militar do mesmo Coronel. No final da década de 1980, elegeu Collor de Mello( que se dizia representar Alagoas) para presidente do Brasil. O Estado estaria orgulhoso? Creio que não. Estes presidentes não representavam o povo alagoano, mas interesses de um tipo de capitalismo conservador(não apenas alagoano) que sequer consegue favorecer políticas sociais. Utiliza a ignorãncia como suporte para manutenção do poder.

Este Estado, de proporções geográficas quase insignificantes, pôde representar por décadas o IAA(Instituto do Açúcar e do Álcool); controlar a SUDENE( Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste); apresentar entre suas lideranças um presidente do Senado Federal. Sua insignificância econômica, levando em consideração o PIB( Produto Interno Bruto) brasileiro, não parece coadunar com sua força política. Os discursos da crise do setor sucroalcooleiro, ecoam por décadas e, geralmente, são atendidos pelo governo federal em forma de subsídios. Subsídos estes, que o mesmo governo cobra para que países estrangeiros não utilizem junto aos seus grandes agricultores. No Brasil, o disface é latente. Aparece sob a forma de emprestimos, quase nunca reembolsáveis. Entretanto, os mesmos usineiros passaram décadas sem pagar impostos ao Estado. Estado este que possui sua principal atividade econômica no setor sucroalcooleiro. O rico poder da cana, não se faz presente junto a população.

Entretanto, as condições de vida de sua população, permanecem as mesmas. Em alguns casos, tendem a acentuar. Ninguém estaria preocupado. É apenas o Estado de Alagoas! Por décadas apresenta os piores indicadores sociais. Mesmo assim, a corrupção é colocada para "debaixo do tapete". Apresenta-se entre os Estados da Federação com maiores índices de revoltas populares, com lutas específicas no meio rural. Mas quase ninguém toma conhecimento disso. Demonstra, também, os maiores índices negativos de violência no campo, sem, entretanto, os assassinos serem identificados ou condenados. Nada disso importa.

Possui os piores indicadores educacionais do país. Tem-se ainda, as piores escolas em funcionamento, notadamente, na rede pública. Não são questionadas as causas. Apenas são demonstradas as conseqüências. E, como um espelho refletindo a negatividade, o Estado de Alagoas, passa a ser parâmetro para a comparação entre os piores indicadores sociais do país. E viva o resultado do ENEM, tendo em vista que ninguém questiona as principais causas das deficiências. Paliativos são apresentados, soluções esquecidas. Professores com salários baixos e sobrecarregados; escolas sem a mínima condição de funcionamento, inclusive, algumas sequer parecem com escolas. Por vezes funcionam em salões alugados, prédios depredados em salas de aulas multisseriadas. O Estado, também possui o maior índice de exclusão digital do país. Ou seja, nada que possa contribuir para melhoria do ensino é efetivamente realizado. Mas, como mágicos apontamos resultados educacionais sob um véu. Se a Região Nordeste se contenta, historicamente, em possuir índices negativos em todos os indicadores, Alagoas, nesta região, representa os pobre entre os pobres, em um Estado rico e fértil.
Os resultados do ENEM, não demonstram que entre os excluidos, existem aqueles que possuem melhores condições com notas maiores. Ou seja, a escala de exclusão vai sendo acentuada cada vez mais. Assim tem-se resultados, em algumas cidades, que sequer possuem proximidade com os indices negativos do Estado, ou seja, estão em piores condições. Para tanto, basta verificar os censos educacionais realizados pelo INEP(Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). Se para o Estado, em geral, nada parece apontar com mudanças, no complicado sistema educacional, onde os municípios realizam como querem as políticas educacionais( ou a falta delas), a situação tende a se agravar cada vez mais.Assim, alguns prefeitos são acusados de desvio do dinheiro destinado a Educação. Atualmente, até um ex-governador, possui as mesmas acusações. Que fazer? Nada parece intimidar a ganância de alguns políticos alagoanos. Se pensarmos que a exclusão entre negros e pardos é também historicamente maiores, ampliaríamos, também, a escala da exclusão. Assim, o ENEM para Alagoas, significa apenas mais dados estatísticos.