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quarta-feira, 8 de junho de 2011

NÚCLEO DE ESTUDOS AGRÁRIOS E MOVIMENTO SINDICAL RURAL EM ALAGOAS-NEASR

 
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE ALAGOAS-UNEAL
NÚCLEO DE ESTUDOS AGRÁRIOS E MOVIMENTO SINDICAL RURAL EM ALAGOAS-NEASR
http://www.neasr-al.blogspot.com/
(82)35398083- Ramal: 2026

O Prof.  Me. Antonio Barbosa Lúcio, visando publicizar atividades desenvolvidas pelo NUCLEO DE ESTUDOS AGRÁRIOS E MOVIMENTO SINDICAL RURAL EM ALAGOAS, apresenta os resultados das seguintes pesquisas:

PESQUISAS ORIENTADAS PELO PROFESSOR ANTONIO BARBOSA LUCIO E APRESENTADAS EM EVENTOS CIENTIFICOS, PUBLICADAS EM ANAIS DE CONGRESSOS E EM REVISTAS

01-Educação do(no) campo: um direito garantido por lei e desconhecido pelos camponeses - Elâine Fernandes dos Santos e Josefa Mendes da Silva- I Encontro de Pesquisa Científica/UNEAL/LETRAS-CAMPUS V/2010
02-O ensino da língua portuguesa no campo: variação lingüística x gramática normativa-Erinaldo da Silva Santos e Josefa Mendes da Silva/ V Encontro de Professores de Português, Inglês, Espanhol e Literatura-EPPIEL- UNEAL/LETRAS-CAMPUS V/2010; Universidade Vale do Acaraú-Maio2011;
03- Educação no campo: uma investigação acerca das condições de ensino-aprendizagem de língua portuguesa em uma escola situada na zona rural-Erinaldo da Silva Santos e Fabrício Oliveira de Lima/ V Encontro de Pesquisa em Educação em Alagoas/Programa de Pós-graduação em educação do Centro de Educação/UFAL/2010 e UNEAL/ LETRAS-CAMPUS V/2010 Disponível em  http://dmd2.webfactional.com/media/anais/A-EDUCACAO-NO-CAMPO-UMA-INVESTIGACAO-ACERCA-DAS-CONDICOES-DE-ENSINO-APRENDIZAGEM-DE-LINGUA-PORTUGUESA-EM-UMA-ESCOLA-SITUADA-NA-ZONA-RURAL.pdf

04-Educação e Trabalho: Caminhos que se cruzam-Marcelo Santos Barbosa; Antonio Barbosa Lúcio/Universidade Vale do Acaraú-Maio2011;
05-As condições de ensino em escolas do campo- Antônia da Silva Santos e  Cíntia de França Silva/IV Colóquio Internacional Educação e Contemporaneidade/UFS/SE/2010 e UNEAL/LETRAS-CAMPUS V/2010
06-Fronteiras da igualdade no ensino fundamental: uma proposta de análise de indicadores da qualidade do trabalho docente- Antonio Barbosa Lúcio-III Fórum Brasileiro do Semiárido- Universidade Vale do Acaraú-Maio2011
07-O DESCASO DA EDUCAÇÃO DO/NO CAMPO: AS DIFICULDADES ENFRENTADAS POR PROFESSORES E ALUNOS DA ESCOLA NO CAMPO NO INTERIOR DE ALAGOAS (UM ESTUDO DE CASO)- Elâine Fernandes dos Santos; Josefa Mendes da Silva; Antonio Barbosa Lúcio;
08-As representações sociais do trabalho rural: o discurso da FETAG/AL-Antonio Barbosa Lúcio- VIII Congresso Latinoamericano de Sociologia Rural: América Latina: realineamientos políticos y projectos en disputa/ALASRU/2010
09-O movimento camponês e a luta pela terra em Alagoas/ Antonio Barbosa Lúcio/ I Semana de Estudos Agrários da UNEAL:  Mundo rural-velhos problemas, novos desafios/2007
10-Questão Agrária, campesinato e precarização do trabalho/ Antonio Barbosa Lúcio I Semana de Estudos Agrários da UNEAL:  Mundo rural-velhos problemas, novos desafios/ /2007;
11-SINDICATOS RURAIS: ORGANIZAÇÃO SINDICAL E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA-ESTUDO SOBRE A AÇÃO SINDICAL DOS TRABALHADORES RURAIS ALAGOANOS NAS DÉCADAS DE 1980-1990/ Antonio Barbosa Lúcio 2008


ARTIGOS PUBLICADOS

1-   O movimento camponês e a luta pela terra em Alagoas: poder, estado e reforma agrária; Revista-Sociedade, Educação e Poder/UNEAL/2010
2-   A legislação de terras no Brasil e as influências portuguesas- anais eletrônicos-I colóquio dos oitocentos em Alagoas/UNEAL/2008
3-   A ação sindical dos trabalhadores canavieiros alagoanos a partir da década de 1980-Revista Cabanos/UNEAL/2006;
4-   Educação no campo: uma investigação acerca das condições de ensino-aprendizagem de língua portuguesa em uma escola situada na zona rural-Erinaldo da Silva Santos e Fabrício Oliveira de Lima;
5-   As condições de ensino em escolas do campo- Antônia da Silva Santos e  Cíntia de França Silva

MONOGRAFIA DE ESPECIALIZAÇÃO ORIENTADAS PELO PROFESSOR
ANTONIO BARBOSA LUCIO

1-      Elenice Temóteo de Almeida. ASSENTAMENTO RURAL: MST E OS IMPACTOS SOCIAIS, ECONÔMICOS E PÓLÍTICOS - O CASO DO ASSENTAMENTO DOM HÉLDER CÂMARA/NÚCLEO MARAVILHA EM GIRAU DO PONCIANO-AL NA DÉCADA DE 1990. 2007
2-      Gilson Joveniano da Silva. POR ENTRE ALFORJES E PATRONAS: SOLIDEZ E CONTRADIÇÕES NO CONCEITO DE DEMOCRACIA DO MST – ASSENTAMENTO NOVA PAZ - EM GIRAU DO PONCIANO/AL NA DÉCADA DE 2000. 2007. Monografia (História dos Movimentos Sociais no Brasil) - Universidade Estadual de Alagoas;



MONOGRAFIAS DE GRADUAÇÃO ORIENTADAS PELO PROFESSOR
ANTONIO BARBOSA LUCIO



1-      AGENOR ALVES CALIXTO FILHO. IMPACTOS DO NEOLIBERALISMO NA ECONOMIA BRASILEIRA NO GOVERNO FERNANDO COLLOR DE MELO. 2011. Curso (História) - Universidade Estadual de Alagoas;
2-      Nadja Lúcia dos Santos. O processo de organização do trabalho no campo- estudo da agroindustria sucroalcooleira na década de 1990: os trabalhadores assalariados da cana-de-açúcar na Usina Seresta- Teotônio Vilela/AL. 2011. Curso (curso de graduação em História) - Universidade Estadual de Alagoas
3-      Marice Rocha Barbosa. RELAÇÕES DE TRABALHO E COTIDIANO DOS CORTADORES DE CANA SOB O REGIME DA MONOCULTURA CANAVIEIRA NO MUNICIPIO DE CAMPO ALEGRE – AL, A PARTIR DA DECADA DE 1990.. 2008. Curso (História) - Universidade Estadual de Alagoas;
4-      Rodrigo Abraão Moisés da Silva. RESISTÊNCIA PERDIDA: OS CAMINHOS DO PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO EM ALAGOAS. 2008. Curso (História) - Universidade Estadual de Alagoas;
5-      José Rogério de Farias. A reconstituição e interpretação da ação do sindicato rural de coité do Nóia, nas décadas de 1988-90: alcançes e limites. 2006. Curso (História) - Fundação Universidade Estadual de Alagoas;
6-      Ana Maria Miranda dos Santos. ESTUDO SOBRE A AÇÃO DO SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS DE GIRAU DO PONCIANO ALAGOAS – NAS DÉCADAS DE 1980 – 1990. 2006. Curso (História) - Fundação Universidade Estadual de Alagoas;
7-      ALESSANDRO LUIS DOS SANTOS. NO CALOR DA HORA: O ASSASSINATO DO DEPUTADO ESTADUAL MARQUES DA SILVA E SUA REPERCUSSÃO NA SOCIEDADE ALAGOANA. 2006. Curso (curso de graduação em História) - Universidade Estadual de Alagoas;
8-      Maria Gisélia da Silva Gomes. O PROCESSO DE MODERNIZAÇÃO E A INTENSIFICAÇÃO DO USO TECNOLÓGICO NA AGRO-INDÚSTRIA AÇUCAREIRA NO EXTREMO SUL DE ALAGOAS A PARTIR DA DÉCADA DE 1970.. 2006. Curso (História) – Fundação;
9-      Rosivaine Barbosa de Souza. sindicatos rurais: organização sindical e participação política - estudo sobre a ação sindical dos trabalhadores rurais nas décadas de 1980-1990: o caso de feira Grande/ al. 2006. Curso (curso de graduação em História) - Universidade Estadual de Alagoas;
10-  MARIA GIVANEIDE DA SILVA MIRANDA. AS MARCAS DO CANGAÇO: A CONSTRUÇÃO DO MITO NA LITERATURA DE CORDEL E NO IMAGINÁRIO POPULAR SOBRE VIRGULINO FERREIRA DA SILVA, O LAMPIÃO. 2005. Curso (Geografia) - Fundação Universidade Estadual de Alagoas;
11-  MARIA OLIVEIRA DE LIMA DO NASCIMENTO. ENTRE A VONTADE E O PODER: O CONFRONTO, A COMPOSIÇÃO POLÍTICA E AS RELAÇÕES DE PODER NA FORMAÇÃO DA VILA SÃO JOSE, ARAPIRACA (1940- 1960). 2005. Curso (História) - Fundação Universidade Estadual de Alagoas;
12-  TELMA CRESCENCIO DUARTE DE PAULA. UNIVERSOS EM CONFRONTO: A HISTÓRIA DE PADRE CÍCERO. 2005. Curso (História) - Fundação Universidade Estadual de Alagoas



INICIAÇÃO CIENTÍFICA (PESQUISAS CONCLUIDAS)

1-      Ronaldo Francisco da Hora. sindicatos rurais: organização sindical e participação política – estudo sobre a ação sindical dos trabalhadores rurais alagoanos nas décadas de 1980-1990. o caso de Taquarana. 2008. Iniciação científica (História) - Universidade Estadual de Alagoas;
2-      Ronaldo Francisco da Hora. Relatório de Pesquisa Ação sindical dos trabalhadores rurais: o caso de Taquarana. 2006. Iniciação científica (curso de graduação em História) - Universidade Estadual de Alagoas;

INICIAÇÃO CIENTÍFICA (PESQUISAS EM ANDAMENTO)

1-      Josefa Mendes da Silva. EDUCAÇÃO DO(NO) CAMPO: ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO E DE ENSINO EM ESCOLAS DO(NO)CAMPO NO AGRESTE/SERTÃO ALAGOANO. 2010. Iniciação científica (Letras) - Universidade Estadual de Alagoas;
2-      Erinaldo da Silva Santos. EDUCAÇÃO DO(NO) CAMPO: ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO E DE ENSINO, EM PORTUGUES, EM ESCOLAS DO(NO)CAMPO NO AGRESTE ALAGOANO: O CASO DE UMA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL/SÃO SEBASTIÃO-AL-2010. 2010. Iniciação científica (Letras) - Universidade Estadual de Alagoas;
3-      Elâine Fernandes dos Santos. 1- EDUCAÇÃO DO(NO) CAMPO: ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO E DE ENSINO, EM LÍNGUA PORTUGUESA, EM ESCOLAS DO(NO)CAMPO NO AGRESTE ALAGOANO: O CASO DE UMA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL /ARAPIRACA-AL-2010-. 2010. Iniciação científica (Letras) - Universidade Estadual de Alagoas;
4-      José Esmael de Jesus Filho. 3- EDUCAÇÃO DO(NO) CAMPO: ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO E DE ENSINO, EM HISTÓRIA, EM ESCOLAS DO(NO)CAMPO NO AGRESTE ALAGOANO: O CASO DE UMA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL/ARAPIRACA-AL-2010. 2010. Iniciação científica (História) - Universidade Estadual de Alagoas;
5-      marcelo dos Santos Barbosa. 4- EDUCAÇÃO DO(NO) CAMPO: ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO E DE ENSINO, EM HISTÓRIA, EM ESCOLAS DO(NO)CAMPO NO AGRESTE ALAGOANO: O CASO DE UMA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL/GIRAU DO PONCIANO-AL-2010-. 2010. Iniciação científica (História) - Universidade Estadual de Alagoas;
6-      Maria José dos Santos. 5- EDUCAÇÃO DO(NO) CAMPO: ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO E DE ENSINO, EM HISTÓRIA, EM ESCOLAS DO(NO)CAMPO NO AGRESTE ALAGOANO: O CASO DE UMA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL/GIRAU DO PONCIANO-AL-2010. 2010. Iniciação científica (História) - Universidade Estadual de Alagoas;
7-      Edvalma da Silva Santos. 6- EDUCAÇÃO DO(NO) CAMPO: ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO E DE ENSINO, EM PORTUGUES, EM ESCOLAS DO(NO)CAMPO NO AGRESTE ALAGOANO: O CASO DE UMA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL/SÃO SEBASTIÃO-AL-2010. 2010. Iniciação científica (Pedagogia) - Universidade Estadual de Alagoas;

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DE GRADUAÇÃO EM ANDAMENTO

1-      Marcelo dos Santos Barbosa. História de luta e conquista: a atuação do MST em um assentamento de Girau do Ponciano/AL. 2010. Curso (História) - Universidade Estadual de Alagoas;
2-      Gilberto Barbosa Filho. ÍNDIOS, BRANCOS E NEGROS NA ORGANIZAÇÃO SÓCIO-ECONOMICA E POLÍTICA DE LIMOEIRO DE ANADIA/AL. 2010. Curso (História) - Universidade Estadual de Alagoas;
3-      Adriana Bispo da Costa. O discurso como objeto de dominação:linguagem, escrita e poder no âmbito da prática docente. 2010. Curso (Letras) - Universidade Estadual de Alagoas;
4-      José Paulo de Moraes e Allan Diego Pereira de Lira. O ENSINO DA MATEMÁTICA NO EM ESCOLAS DO(NO) CAMPO EM ARAPIRACA/AL: EXPECTATIVAS E DIFICULDADES. 2010. Curso (Matemática) - Universidade Estadual de Alagoas;
5-      Ronaldo Francisco da Hora. Sindicatos rurais: organização sindical e participação política – estudo sobre a ação sindical dos trabalhadores rurais alagoanos nas décadas de 1980-1990. o caso de Taquarana. 2010. Curso (História) - Universidade Estadual de Alagoas;
6-      Adriana Márcia marinho da silva. sindicatos rurais: organização sindical e participação política - estudo sobre a ação sindical dos trabalhadores rurais nas décadas de 1980-1990: o caso de Arapiraca/al. 2010. Curso (História) - Fundação Universidade Estadual de Alagoas;
7-      Maria José dos Santos. Uma análise Histórica da Saúde Pública em Girau do Ponciano-Al nas décadas de 80 e 90. 2010. Curso (História) - Universidade Estadual de Alagoas;
8-      Marcos de Oliveira. 1- políticas publicas e gestão da e na educação em alagoas: avanços, limites e contradições do governo Ronaldo Lessa(1999-2002). 2010. Curso (História) - Universidade Estadual de Alagoas;
9-      Josevânia Ribeiro Silva. A CURA DAS ALMAS: CONFLITOS, INTERESSES E PODER NA ATUAÇÃO DO MOVIMENTO DA RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA EM GIRAU DO PONCIANO/AL. 2008. Curso (História) - Universidade Estadual de Alagoas.
10-   
CURSOS DE CURTA DURAÇÃO

01- Organização escolar em assentamentos rurais/NEASR/07/01 a 20/05/2009- 40horas
02-A questão agrária brasileira: desafios e perspectivas/ NEASR/agos/Nov de 2007-60 horas;
03-Educação no campo: as experiências de educação no Brasil- NEASR-20/02 a 28/08/2010-60 horas;
04-Elementos para uma análise da Educação do Campo no Brasil/NEASR 17/07 a 28/11/2009- 40 horas




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

MOVIMENTOS SOCIAIS E A LÓGICA DE EXCLUSÃO CAPITALISTA NO BRASIL

Antonio Barbosa Lúcio
A estrutura agrária brasileira, viciada em favorecimentos estatais, permanece intacta após anos de acirrada luta. No período colonial, houve extensa legislação voltada para a proteção latifundiária. Se naquele período, a terra era um ingrediente a mais, para estabelecer o poder dos grandes proprietários de escravos, visando a produção agroexportadora, a partir do início do Brasil Império, com a ascensão da burguesia, da lógica liberal de conceber a sociedade e, da supremacia do capital sobre o trabalho, a terra passa a ser considerada, no Brasil, uma necessidade para manter a estrutura de dominação vigente. Assim, a Constituição de 1824, passa a estabelecer a propriedade privada como uma necessidade do Império. Mais que isso, uma necessidade dos proprietários sobre os trabalhadores. Mantém-se intacto o sistema de propriedade, inclusive, o de seres humanos. Ao mesmo tempo, favorece a manutenção do processo de dominação do capital estrangeiro, primeiro sob o domínio imperialista da Inglaterra e, paulatinamente, dos Estados Unidos.

Nesse meio termo, os movimentos sociais, especialmente aqueles que faziam parte dos interesses populares, como algumas revoltas regenciais, ou as do segundo império, vão sendo continuamente destruídas sob a lógica do poder oligárquico. Este, não exitava que assassinar quem se colocasse contrário aos seus interesses. Estabeleceu a forma que até hoje prevalece na estrutura agrária brasileira, através da Lei de Terras de 1850, deixava claro o poder de compra como a forma de propriedade e que o Estado brasileiro deveria defendê-lo. Ao contrário, a tal política excludente, especialmente, para a população empobrecida e escravizada, o Estado se apresentava com toda a sua força utilizando o poder repressivo, através de seu exército e a sua capacidade de condenar aqueles que não coadunavam com a forma de exclusão que ora se apresentava. O certo foi que a maioria da população não pode ter acesso ao principal bem de produção da época, tendo em vista que o Estado regularizava a apropriação indevida de grandes quantidades de terras, entregues especialmente aos amigos do poder.


Assim, diversos movimentos sociais, geralmente de caráter espontâneo, surgiram como forma de contestação dos interesses das forças opressoras. A exemplo de Canudos, todos foram dizimados com extrema crueldade. Não estava em jogo apenas a propriedade de terra, mas a ousadia de pequenos camponeses pobres contestar os interesses da elite econômica. Esta tratou de passar para as gerações futuras, a concepção de que essas pessoas em visionárias, messiânicas, fanáticas, loucas. Buscou-se apagar das mentes das futuras gerações qualquer menção ao camponês que luta pela terra, como seres demandantes de direitos. O Estado de orientação positivista, apenas percebia a sociedade como um corpo orgânico, tendo as elites como encabeçando o processo social, como dirigentes máximos da nova sociedade que se pretendia fazer surgir. Ideologicamente, promove-se o enfraquecimento da população, o afastamento das escolas, a manutenção e distanciamento do acesso a terra e a direitos. A legislação que passou a ser preparada deveria representar os interesses desses agrupamentos privilegiados, supostamente superiores. Aproveitava-se das incipientes condições de aprofundamento teórico proporcionado a população, para acirrar divergências, impulsionar o clientelismo e, favorecer, o assistencialismo entre a população carente de tudo.

A lógica de desenvolvimento social impetrada pelas elites brasileiras necessitava ser aquela aonde não houve reivindicações, lutas, revoltas, revoluções. As elites, geralmente religiosas, também defendiam a cultura da paz, desde que esta estivesse sob a forma de aceitação da condição de miserabilidade "permitida" por Deus aos pobres pecadores. Estes deveriam conhecer e reconhecer seu lugar na estrutura da sociedade. Não como vencidos, mas como pessoas que não tiveram a sorte de galgar postos mais elevados na sociedade.


Como a essa situação não pode ser constantemente reeditada, tendo em vista que revoltas “pipocavam” contra as formas de dominação oligárquica surgiam por todo país, a exemplo, revolta da chibata (1910), Revolta da Vacina (1904), Contestado (1912 a 1916), do Cangaço, a Sedição de Juazeiro (1913). A reação das elites não demorou a surgir quer através da cooptação de suas lideranças, assassinatos em massa ou aproveitando-se, por vezes, do espontaneísmo desses movimentos para minar suas forças. O certo foi que não houve perdão. Ninguém poderia ousar em confrontar os grupos dominantes e ainda continuar vivo.

A legislação brasileira se aperfeiçoa e, mais uma vez, no Período Vargas, trata-se de envolver os movimentos sociais sob a tutela do Estado. Engessam-se esses movimentos, legalizando-os e excluindo-os do processo de luta social. A propaganda oficial, utilizada por importantes meios de comunicação da época, como o rádio e os púlpitos das Igrejas, clamavam a busca pela paz, em uma época de prosperidade. Mesmo assim, a partir da década de 1940, movimentos de posseiros no sudoeste do país e Ligas camponesas no Nordeste, apontavam que a tão esperada paz, teria sido realizada com o sangue e suor de milhares de camponeses. Publicizavam as condições de vida e de trabalho de milhares de camponeses empobrecidos, forçados ao assalariamento, expulsos de suas terras, sem rumo destinando-se ao mundo desconhecido das cidades. A esses movimentos juntaram-se outros. Sob a lógica desenvolvimentista impetrada a partir da década de 1950, de feição industrial, ao forçar a população ao assalariamento nas indústrias criavam outras formas de dominação e de exclusão social. Mantinham-se milhares de ex-camponeses em favelas nos arredores dos setores industriais, arregimentavam-se milhares de trabalhadores nordestinos para as grandes cidades, especialmente São Paulo, voltando-os para a construção civil. Destino de milhares de pessoas, quase todas analfabetas e sem perspectivas em sua região de origem. Os novos movimentos sociais urbanos buscavam, também, moradias, educação, saúde. Os movimentos rurais estavam centrados na reforma agrária, recursos financeiros, condições mínimas de sobrevivência no campo.


As elites agrárias e urbanas trataram de conter as lutas populares. Primeiro, tomando o poder sob a forma de Ditadura Militar. Utilizavam, novamente, a lógica do poder a qualquer custo, não exitaram em assassinar e torturar. Ao mesmo tempo, ampliam a escola de massa visando, sob sua lógica, manter a população empobrecida distante da possibilidade de atingir o chamado “topo da pirâmide”. A massificação do ensino, antes um reivindicação dos movimentos sociais em geral, passou a ser uma bandeira dos economicamente privilegiados, transformando as escolas, em locais excepcionais de contentamento social. Não foi propiciada a qualidade de ensino e, os cursos de técnicas para o trabalho afastavam grande parte da população do acesso a Universidade.


A lógica dual de escola deixava claro quem poderia ser dirigente e quem seria o dominado. Milhares de camponeses são jogados em escolas urbanas, de orientação para a produção capitalista. Essa nova lógica estaria, tanto em manter os trabalhadores afastados da possibilidade de conhecimento, como voltados para a aceitação de suas condições. Visa-se, portanto, a não ampliação de movimentos sociais reivindicatórios, tendo em vista que grande parte das ditas conquistas sociais estariam sendo paulatinamente resolvidas. Mesmo assim, a estrutura de dominação que passou a ser organizada a partir do Brasil Colônia, não teria sido modificada. Percebe-se que sob os parâmetros do século XIX onde o Brasil possuía média de vida de cerca de 30 anos; no primeiro triênio do século XX cerca de 37 anos, e a partir da década de 1970 a partir de 60 anos, apesar de crescente não atingia a toda a população, ao mesmo tempo que demonstrava que viver ou morrer também depende da forma como a sociedade distribui as riquezas a sua população. Os parâmetros dos pais anteriores a década de 1970, passam nos atuais a redimensionamentos, não aceitando, em parte, que agrupamentos sociais privilegiados possuam condições acima da média em todos os períodos da História brasileira.


Os novos movimentos sociais, contidos com bastante força pelas elites dominantes, através de uma política ideologizante impregnada na escola, nos jornais, revistas, internet e televisão, demonstra apenas que essa elite possui condições de tentar perpetuar suas ideais como dominantes na sociedade, mas também, que essa mesma sociedade pode, a partir de formas alternativas suplantar o controle massivo impetrado sob a lógica da dominação.


Além disso, a elite não deixa de reutilizar as velhas formas de dominação. Mantém-se o poder de polícia sobre a população empobrecida; a manutenção do poder judiciário sob a lógica da perpetuação da Lei sobre os homens. Esquece-se que a Lei foi elaborada por seres sociais e sua interpretação depende, também, que estes aceitem a submissão como regra. Ou seja, para haver o Estado absoluto hobbesiano seria necessária a completa aceitabilidade por todos dos ditames ditos legais. Esquece-se, também, que a ideologia positivista de orientação organicista foi uma invenção das elites dominantes e, como toda percepção idealista, não parte da realidade, não pode ser perpetuada eternamente. Ao partir de uma falsa realidade e, ao tentar a todos convencer, as elites econômicas brasileiras não percebem ou não querem perceber a dialética existente na realidade social.

Montam um mundo imaginário, sem movimentos sociais; confrontos políticos entre as classes; contentamentos com escolas excludentes; postos de saúdes inexistentes; salários defasados e não condizentes com a manutenção da vida. Esse mundo ideal começa a ruir. O Estado passa a defender suas elites e, ao mesmo tempo, nutri a esperança que ninguém se posicione contrário. Desde Rousseau, com sua democracia elitista, essa situação não perdurou por muito tempo. O Brasil é exemplo disso! As várias tentativas de conter as populações, apenas serviram para manter hibernando por longos ou curtos períodos a necessidade de sobrepor os interesses dominantes. Não conseguiram calar definitivamente as diversas vozes que ressoam no intransigente mundo da exclusão social.

Se os brasileiros, em sua maioria, ainda não estão sabendo como acordar desse longo período de hibernação, as próprias elites, em sua ânsia para proteger o capital, destruindo a tudo e a todos, tende a favorecer mudanças. Mesmo com a utilização de políticas assistencialistas, revestidas como distribuição de rendas, passam a ser questionadas quando milhares percebem que os recursos públicos estão sendo, agora sim, distribuídos aos banqueiros, setores automobilísticos setor sucroalcooleiro, grandes latifundiários, etc.. Novas formas e velhas formas de confisco social são continuamente reeditadas. Parte da população atônica, ainda não sabe o que fazer. Alguns debandam para a criminalidade sem aquela visão do Banditismo Social dos séculos XIX e início do século XX, mas como uma forte reação ao poder desefreado dos grupos economicamente dominantes. Lamentamos os equívocos sociais, mais estes são engendrados pela própria lógica de exploração.

Entretanto, no Brasil agrário a esperança continua a persistir. Milhares de brasileiros, geralmente honestos, buscam reeditar velhas formas de superação da desigualdade. Passam a realizar tentativas de reforma agrária e, ao mesmo tempo, questionam a estrutura agrária brasileira. A elite dirigente e economicamente desenvolvida, teme não apenas a reforma agrária, pois, de certa forma, percebem que ela não pode ser contida. Temem, especialmente, a ampliação do processo de expansão as avessas, ou seja, que os brasileiros urbanos e rurais, passem a exigir o direito de viver dignamente com o resultado do seu trabalho, que se recusem a aceitar as migalhas assistencialistas. Temem que satisfeitas algumas necessidades, passem a exigir que as demais sejam concretizadas. Ficam preocupados que satisfeitas as necessidades de acesso a Universidade, por exemplo, queiram, também, o acesso aos bens que ela pode favorecer, especialmente como proporciona a alguns setores da sociedade.


O grande medo da elite econômica brasileira, não estaria em favorecer algumas condições de melhorias de vida. Já realizaram com o chamado Estado do Bem Estar Social. Mas perceberam que a população não pode ser enganada continuamente. Tentou modificar tudo, revogando direitos conquistados a força pelos trabalhadores. Apesar de constantes avanços nesse sentido, não consegue conter os movimentos sociais. No Brasil, sabe-se a força do povo, pois se localiza rodeado em um “barril de pólvora” chamado América hispânica. As cidades brasileiras possuem pequenos bolsões de riquezas, circulados por grandes bairros periféricos de estrema pobreza. As elites, apesar de constantes tentativas, não conseguem contê-los, tendo em vista que é de sua natureza o constante afunilamento das riquezas sob o poder de poucos e, o crescente poder numérico das classes menos privilegiadas. O poder numérico, pode se transformar em poder político. Eis o grande temor das elites diante os movimentos sociais!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A QUESTÃO AGRARIA BRASILEIRA E OS MOVIMENTOS SOCIAIS

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QUESTÃO AGRARIA: CONCEITO

• ORIGEM=EUROPA SEC: XIX =ESCLARECER PENETRAÇÃO DO CAPITALISMO NO CAMPO;
• ESCLARECER ALIANÇA OPERARIO X CAMPESINATO
• HOJE=PREOCUPAÇÃO COM O ATRASO NO CAMPO-APONTAR SAINDA
• OBJETIVO-APONTAR DESNÍVEL DA DESIGUALDADE
• QUESTÃO AGRÁRIA X REFORMA AGRÁRIA
• CAUSA X EFEITO
• Modernização tecnológica capitalista
• Latifúndios em empresas modernas
• Modificação gerencial
• Massa de trabalhadores em assalariados
• Mão de obra rural barata e oprimida
• Deixa intocável O REGIME DE PROPRIEDADE FUNDIÁRIO


MODERNIZAÇÃO CONSERVADORA: conseqüências


• Últimos trinta anos
• Visa a massa de assalariados
• Ocupação sazonal
• Lutas para manter o emprego precário
• Expulsão do campo
• Sobrevida na cidade em extrema miséria
• Afrouxamento dos movimentos de protestos
• Luta de imposição( ainda tolerada)
• Sem ampliar o processo de democratização
• Luta excessivamente econômica;
• Centralização em grupos de interesses

ASPECTOS DA QUESTÃO AGRÁRIA

• Terra: até meados do sec: XIX -BEM MAIOR ERA O ESCRAVO
• Disponibilidade de terras e mão de obra barata
• Impedir ao escravo acesso a terra ( e o homem branco pobre)
• Pequenas propriedades a partir do sec.XIX- subproduto do sistema fundiário
• Subdivisão das grandes propriedades; busca de novas terras virgens;
• Ocupação de áreas não utilizadas pelo latifúndio
• Preservar as relações de produção no campo

PEQUENAS PROPRIEDADES: ATIVIDADES DE SUBSISTÊNCIA

• Atividades de subsistência;
• Uso de tecnologias rudimentares
• Barateamento da mão de obra
• Pouca produção; obrigados a buscar alternativas de trabalho

MOVIMENTOS SOCIAIS NO BRASIL

• Brasil colônia- movimentos pré-políticos( messiânicos, banditismo social)
• Movimentos políticos( Ligas Camponesas, Movimento dos sem-terras
• Representam movimentos de protestos
• Englobam os setores mais empobrecidos
• Se opõem relações de produção e de dominação;
• Visam conscientização ou formas de libertação
• TODOS FORAM REPRIMIDOS VIOLENTAMENTE

PODER DOS LATIFUNDIÁRIOS

• Historicamente grandes sufocam rebeliões
• Poder no governo- influencia na legislação
• Todas tentativas de redistribuição de terras falharam
• Até FHC e LULA- distribuir terra sem tocar na estrutura agrária, no regime de propriedade da terra


ATÉ A DÉCADA DE 1930

• Proprietários rurais-classes dominantes
• Burguesia industrial= não afeta poder das oligarquias
• Desenvolvimento industrial- de JK ao Regime Militar- INTOCADA A PROPRIEDADE FUNDIÁRIA E O SISTEMA DE PODER NELE ASSENTADO
• MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGICA- acelera concentração fundiária(empresários rurais)
• Modernização capitalista rural- monocultura; mercado externo e produção biogenética
• Exigia: maquinários; venenos agrícolas, sementes de alta produtividade; diesel e derivados de petróleo;
• Expansão do setor econômico = agricultura, industria e comércio (empresas rurais)

CONSEQÜÊNCIAS

• Expansão da monocultura= diminuição da de subsistência.
• Utilização intensiva do solo;
• Dilatação das fronteiras( amazonas)
• Deslocamento da população para as cidades;
• Expulsão e expropriação

E OS MOVIMENTOS SOCIAIS?

• Até a década de 1930 todos foram dizimados
• Sindicalização rural proibida na era Vargas
• Após 1930- lutas por dentro da estrutura estatal; conflitos com o Estado; lutas imediatistas; conquistas de Direitos políticos básicos.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

OPINIÃO: MOVIMENTOS SOCIAIS: LIMITES E PERSPECTIVAS

Maria da Glória Gohn, por diversas vezes, aponta a existência de movimentos sociais, as formas de organização e seus principais objetivos. Destaca que estes movimentos possuem identidades próprias quando se posicionam diante um fato que os oprimem. Apresentam propostas definidas e possuem continuidade e permanência. Suas práticas estariam voltadas para sanar dificuldades encontradas nas organizações sociais.
Entretanto, seus efeitos, necessariamente, não significa transformações coletivas. Este fato, em nosso entender estaria centrado nas ações imediatistas e isoladas desses movimentos. Estariam tão preocupados em sanar questões de ordem grupal, deslocadas da dimensão mais ampla, que não conseguem atingir as metas que defendem. O isolamento característico desses movimentos distancia de ações mais duradouras e/ou que busque transformações para o conjunto da sociedade. Não estou afirmando que as ações não são benéficas, pelo contrário, numa sociedade como a brasileira, mesmo ações centradas no imediatismo tende a favorecer mudanças na ordem social. Assim, movimento de gays, negros, sem terra, sem teto, de mulheres, de mulheres rurais etc. tenderiam a propiciar condições para reflexão por parte da sociedade de como tais minorias sociais estariam sofrendo as conseqüências de modelos de exclusão social. Entretanto, por vezes, tais movimentos, mantêm as mesmas relações de opressão que defendem para si, como por exemplo, certos movimentos, representado por alguns setores da sociedade, tende a defender políticas públicas específicas para o que consideram historicamente injustiças cometidas contra a minoria social a qual faz parte sem considerar o conjunto da sociedade. O deslocamento de foco tende a direcionar para o favorecimento de grupos que, dependendo da correlação de forças, pode atingir ou não tais objetivos.


A característica principal de tais movimentos seria a aquisição das necessidades básicas que os atinge. Este fato seria normal e até louvável se, na lógica de organização capitalista, quando alguns ganham, outros necessariamente, perdem. Ou seja, adquirir direitos, numa sociedade desigual, significaria que outros poderiam perdê-los. Se em alguns casos, tais situações não afetariam o conjunto da sociedade, a exemplo do casamento gay, a permissão do abordo, leis igualitárias para as mulheres etc, tendo em vista que possuem caráter amplo. Em outros casos, entretanto, mudanças tenderiam a afetar o conjunto da sociedade. Valores religiosos, centrados no direito de seguir a orientação religiosa que achar conveniente, pode até parecer uma atitude democrática, mas necessariamente, tende a excluir grupos minoritários, de religiões não tão populares ou que não possuam acesso mais amplo aos meios de superação dessas relações. Fato semelhante seria credito fundiário específico voltado para as mulheres rurais, credito para quem participa de movimentos sociais, benefícios para funcionários públicos, leis que preservam condições especiais para quem possui cursos superiores, ações afirmativas voltadas para a população negra etc. Tais medidas, quando não focaliza os motivos que impulsionaram tais situações, manter a situação de exploração junto aqueles que não possuem condições, por diversos motivos, de adentrar em conflitos com os interesses dominantes.


Entretanto, mesmo não discutindo os fundamentos da exploração, esses mesmos grupos, que se sentem discriminados, tendem, sob a lógica da defesa dos interesses democráticos ou sob a visão de que historicamente seriam prejudicados, excluírem grande parte que não possuem influência significativa para fazer valer seus direitos. Assim, passamos a defender cada um a sua parte. Vale a premissa dos interesses individuais sobre os coletivos, mesmos que aqueles apareçam como se fossem de orientação coletiva. Perde-se a oportunidade de organização para além do imediatismo.

Sob a defesa dos direitos políticos, perdemos a possibilidade de emancipação humana. Ao Estado caberia propiciar direitos políticos. Mais uma vez, atribuímos a um ser superior as resoluções das nossas necessidades. O sistema capitalista, incentiva essas divergências, a busca por direitos políticos que, em última instância, significa a sobreposição de uns sobre os outros. Sob forma de direito político, esquecemos o conjunto da sociedade. Entretanto, não estou afirmando que os direitos políticos não são essenciais, mas apenas que estes não asseguram condições de igualdade plena. Assim, a Igualdade passa a ser uma palavra vazia, sem conteúdo, pois representa, apenas, interesses individuais sob os coletivos.