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segunda-feira, 10 de maio de 2010

UNIVERSIDADE-EMPRESA: ONDE FICA O CONHECIMENTO?

Antonio Barbosa Lúcio
A política neoliberal defende como princípios básicos que os homens e mulheres não nascem iguais, não podendo e não devendo ocorrer igualdade. Os seres humanos, dentro dessa lógica viveriam em constante busca para superar uns aos outros, utilizando como artifício a competição e a concorrência. O Estado, por sua vez, tende, de forma paternalista, a defender os menos favorecidos(mas, mantendo-se apoiando as elites dominantes), sendo, portanto, propenso a ampliar as crises existentes. Estas seriam causadas pela dinâmica da sociedade civil organizada que pressionaria cada vez mais o Estado a favorecê-los.Ou seja, o neoliberalismo estaria apoiado em qualquer regime que defenda a propriedade privada.


A educação escolar passa a ser vista como local privilegiado para o mercado ou a livre iniciativa. Esta deve se adequar a ideologia dominante e, os alunos e professores, adeptos da lógica da produção, para o mercado de trabalho. A universidade, nessa lógica, centrada no mercado, deve abolir o que é chamado de populismo, como por exemplo, o fim de gestões democráticas, eleições ou qualquer forma de participação que envolva, de fato, a comunidade universitária. Ou seja, não importa mais se são eleitos para os cargos que estão, basta a gestão indireta. Ao centra-se na produtividade, ressalta-se, especialmente, pesquisas voltadas para a geração de emprego e renda, a promoção de novos recursos, ampliação econômica ou de área específicas de setores industriais considerados estratégicos, segundo critério mercantis. Alegando que a Universidade é elitista, defendem que estudantes passem a arcarem com os custos universitários. A princípio são taxas de certificados, diplomas, declarações etc. Posteriormente, parcelas das mensalidades e, finalmente, voltando-se para financiar os estudantes com as mensalidades integrais. O Ministério da Fazenda e, através do documento “Gasto Social do Governo Central: 2001 e 2002” enfatiza os gastos com o Ensino Superior atenderia apenas a 10% da população mais rica, passando a recomendar empréstimos a estudantes de baixa renda com taxas subsidiadas. Ou seja, almeja ampliar o processo de privatização das Universidades. Esta situação já era apontada, em 1995, por Bresser Pereira, ao Jornal Estado de São Paulo, afirmando que caberia aos estudantes os custos com as Universidades (O Estado de S. Paulo, 11-3-95, p. A24). Por essa lógica, fundamentada no mercado, o processo de exclusão educacional, tende a se agravar cada vez mais. Além disso, o critério de produtividade passaria a atingir, também, os professores. Estes, avaliados constantemente, deveriam demonstrar maior rentabilidade. Leiam-se, pesquisas voltadas para o mercado ou mesmo a aprovação em massa dos alunos, sem necessariamente vinculo com o aprofundamento do conhecimento, característico das universidades. Nesse sentido, deverá ocorrer o aumento da quantidade de alunos por professor; fim do sistema de tempo integral de trabalho e a substituição por regimes temporários e parciais sob a alegação de que o primeiro levaria a acomodação do profissional e, conseqüentemente, diminuiria os gastos estatais com achatamentos salariais; sobrecarga de trabalho, direcionando para pesquisas lucrativas; realização de cursos atrelados aos interesses industriais e, o prolongamento do período escolar, sob a capa protecionista da seleção natural dos envolvidos; os profissionais é que devem buscar recursos para a Universidade através de projetos e pesquisas de curto prazo, mas que estejam direcionadas para atividades que as empresas mantenedoras e as que o próprio estado almejar.

Estas políticas parecem emergir nas Universidades com a falta de investimentos, precarização do trabalho com aumentos de carga horária, achatamentos e prolongamento das reposições salariais, quase ausência de investimentos em área que não atendam aos interesses do mercado, manutenção de trabalho temporário e em tempos parciais. Entretanto, se algumas políticas são oriundas da lógica de mercado, sua aplicabilidade parece ecoar nos gestores universitários e na própria dinâmica interna das IES. Estas reproduzem fielmente a cartilha neoliberal, aproveitando as brechas que a quase ausência dos sindicatos e dos sindicalizados em lutas por direitos e, distanciam qualquer possibilidade de contraposição aos interesses do capital. Ao se distanciarem das bases, os sindicatos, tendem, na mesma linha de raciocínio neoliberal, culpá-las pela sua condição de vida e de trabalho, sem, entretanto, buscar formas de ampliar a educação de classe de seus filiados. Ademais, grande parte do contingente que faz parte das universidades, são professores. Estes, na lógica de organização capitalista, tendem, por outro lado, ao lidar com novas formas de ampliar recursos, frutos desses dos tipos de pesquisas ou mesmo da ampliação das universidades públicas privadas, onde, como mercadoria barata, desprovida de conteúdo, se oferecem para trabalhar. Ao mesmo tempo, ao fazerem vistas grossas, as políticas neoliberais na educação, descaracterizam o conhecimento universitário. Precarizam o trabalho, fazendo o jogo das elites. A carga horária excessiva retira o tempo necessário para aprofundamento dos conteúdos e para a pesquisa. Não percebem que sua prática, aprofunda a crise da Universidade. Por outro lado, a lógica competitiva de mercado, também coloca alunos sob a mira da aprovação em massa, ávidos para chegarem mais rápido, e de forma mais fácil, ao mercado de trabalho. Essa lógica competitiva é perversa, justamente porque o próprio mercado, apenas toma para si aqueles que são considerados mais aptos, qualitativamente falando. Necessitam, também, de sujeitos sem criticidade, desprovidos de entendimento sobre as reais causas do sistema de exploração social. Como um véu em seus rostos, a lógica de mercado, toma para si, o processo de seleção criado como natural para ludibriar parcelas da população que são continuamente encanadas dentro dos muros de pedra da universidade, tendo em vista que as paredes do conhecimento foram construídas em solo arenoso.


quinta-feira, 5 de março de 2009

O CAPITAL E A CRISE ECONÔMICA

Antonio Barbosa Lúcio
Enquanto o Capitalismo estaria ruindo, o neoliberalismo indo para o espaço e sem a mínima preocupação, os defensores do Capital que defendiam o Estado mínimo, volta-se solicitando socorro para “salvar” seus interesses, mesmo esquecendo a miséria da população. Milhões de dólares, euros, reais... são transferidos para os Bancos, montadoras, empreiteiras... Todos pedem " que a mão invisível do Estado" seja bem visível para defender o capital. Os defensores “do fim da História, das ideologias, da geografia, da morte do socialismo”, enfim, da supremacia inquestionável do sistema capital vêem que suas teorias demoraram apenas menos da metade de um século para ser completamente colocada em xeque de forma quase que definitiva, pois estão tentando reeditá-las sob outras formas. Quando Francis Fukuyama no ensaio The End of History (O fim da história), afirmou


"a imperturbável vitória do liberalismo econômico e político significa não apenas o fim da Guerra Fria, ou a consumação de um determinado período da história, mas o fim da história como tal. Isto é, o ponto inicial na evolução ideológica da humanidade e a universalização da democracia liberal ocidental como forma final do governo humano”.


Sua tese, segundo Perry Anderson, não estaria centrada em afirmar que seria o fim das contradições do sistema capital, mas que “(...) o progresso para a liberdade teria agora um único caminho”. Esta visão não seria nova. Já em 1953 Daniel Bell escreve The end of ideology (O fim da ideologia), acreditando no sucesso de capitalismo e no fracasso “do comunismo”. Esses pensadores possuem em comum a crença na inevitabilidade do capital. Por vezes criticaram Marx, por supostamente defender a inevitabilidade do socialismo/comunismo, de acordo com interpretações apressadas das concepções marxianas. No entanto, parecia viável que o sistema capital prevalecesse diante as manifestações de soberania diante as ideologias existentes. Entretanto, István Mészàros, destaca que



“A fraude e a dominação do capital e a exploração da classe trabalhadora não podem continuar para sempre. Os produtores não podem ser postos constantemente e para sempre sob controle. Marx argumenta que os capitalistas são simplesmente personificações do capital. Não são agentes livres; estão executando imperativos do sistema. Então, o problema da humanidade não é simplesmente vencer um bando de capitalistas. Pôr simplesmente um tipo de personificação do capital no lugar do outro levaria ao mesmo desastre e cedo ou tarde terminaríamos com a restauração do capitalismo”(http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15619).


A visão neoliberal acredita que suas idéias alavancariam a supremacia da lógica do capital. Como podemos perceber, diante a crise econômica que pode agora ser sentida com mais força, tendo em vista que ela vem perdurando por décadas, que o neoliberalismo ampliou a miséria, excluiu milhões do acesso a bens essenciais para manutenção da vida, ampliou riquezas aos capitalistas e destruiu milhares de pessoas.


Aos trabalhadores, especialmente em países de sindicalismo desorganizado, esquerda esquecida, oposições ao sistema capital enfraquecida e, de exacerbado e enraizado individualismo, restou tentativas de resistência, de compreensão de que se são eles que produzem para a manutenção da vida, caberia, também o controle sobre os meios e formas de produção. Com disse Mészáros, no texto citado acima, “não é relativamente fácil”, mas com certeza, a solução não estaria em perpetuar a situação de dominação e exploração do capitalismo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

OPINIÃO: O MUNDO IMAGINÁRIO DA TEORIA NEOLIBERAL

Antonio Barbosa Lúcio [1]*

No mundo globalizado não haveria mais necessidade de confrontos entre classes, pois as próprias classes deixaram de existir. Não haveria confrontos ideológicos, pois a forma adequada, a pós-moderna, seria aceitar as diferenças. Os conflitos seriam suplantados pela acomodação entre as teorias, numa aceitação do inevitável. O mundo capitalista teria vencido e sua hegemonia estaria explicita nos benefícios oriundos de sua prática. Não deve haver mais debates sofre os efeitos do neoliberalismo para as sociedades menos favorecidas ou nenhuma outra sociedade, pois estas necessitariam de novas formas de se conceber no mundo. Argumenta-se que pela diversidade de opiniões por aqueles que se consideram antiliberais, antiglobalizantes, estariam fadados ao fracasso de suas teorias; teorias estas que estariam suplantadas, mortas e enterradas nos porões das bibliotecas, nas casas de aranha de poucos intelectuais que, numa tentativa de recompor o que não pode ser recomposto, vivem num passado longínquo. O mundo neoliberal vencedor, teria suplantado idéias utilizadas pelos dinossauros do saber, dos radicais de políticas, daqueles que ainda acreditam em suplantação do capital.

Estes, ultrapassados, vivem de lembranças utópicas, irrealizáveis, de um sonho imaginário que apenas pode ser apresentando através de elucubrações teóricas, vazias de conteúdos. O problema, para os defensores dessas visões, não estaria em culpabilizar o sistema, sua organização, seus efeitos. Até admitem que possuam defeitos, mas que estes precisam ser corrigidos, tudo dentro da ordem estabelecida, renovam-se velhas teorias com roupagens novas.

A população estarrecida, em um mundo cada vez mais competitivo, deve procurar sua sobrevivência, se adaptar a nova ordem, entender que não pode mudar o inevitável. A inevitabilidade do mundo atual, de seus efeitos, seria a tônica dessa nova era. Como loucos, profissionais das diversas áreas do conhecimento, se põem a referendar tal prática. A privatização das universidades, por exemplo, é camuflada com cursos de especialização pagos; com taxas abusivas e incompatíveis com o ensino público e gratuito e, recursos públicos transferidos a universidades particulares revestidos como cotas para população carente. Nessa demência, aqueles mais a esquerda que ainda não se arrependeram totalmente de suas convicções, se vêem paradoxalmente defendendo o ensino público, e praticando atitudes privatizantes, inclusive como sujeitos ativos desse processo. As vozes discordantes, raras por vezes, são colocadas de fora, como indivíduos que possuem doenças graves; a doença de manter uma postura ética condizente com seus valores, sem jogos de esconde esconde e sem amarras. O vulgo, não acredita mais na existência dessa ética, todos estariam no mesmo “balaio de gatos.” A nova ordem deve ser mantida, deve acreditar na crença do ser natural, pronto, acabado que não pode e não deve subverter a ordem estabelecida. Palavras, num passe de mágica, desaparecem dos dicionários acadêmicos, no mínimo, são vistas como coisas do passado e ultrapassadas.

A comunidade acadêmica, atônita, abasbacada num mundo dionisíaco tente a se vê frente a críticas a teorias liberais com práticas liberalizantes num mundo enfeitiçado pelo falso. Teorias vão para além da prática, se tornam verdades incontestáveis. O Mundo real não precisa mais exprimir, ser fonte de produção intelectual. O mundo construído, na perspectiva do sujeito, é o que deve ser valorizado. O mundo objetivo não existe mais, foi em um feitiço, suplantado por teorias vazias, em vácuos deixados pela ciência numa realidade para aquém do próprio ser humano. O real passa a ser irreal, a verdade pela mentira, o certo pelo errado. O que vale não é a certeza do conhecimento, mas, a aparência que esse conhecimento pode produzir. Nesse mundo eclético, plural, tudo é válido, todas as teorias são boas. Não precisa o pesquisador, se preocupar em escolher algo, pois bastaria adequar cada teoria aos seus interesses mais imediatos, ocorrendo a completa inversão de valores revestidos de novas teorias. È essa invenção de mundo que prevalece, que aparenta construir o novo. Do imaginário querem construir o real. Invertem-se tudo e, embebidos no teor alcoólico da ganância, da produção do falso, remam nessa desenfreada busca por manutenção de uma sociedade para além do real.

[1] Antonio Barbosa Lúcio é Mestre em Sociologia/UFPB e Professor Assistente de Sociologia na Universidade Estadual de Alagoas- Coordenador do NEASR.2008