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domingo, 18 de setembro de 2011

UNEAL participa de eventos científicos em Salvador e Florianópolis


NÚCLEO DE ESTUDOS AGRÁRIOS E MOVIMENTO SINDICAL RURAL EM ALAGOAS-NEASR

O II Seminário de Educação do Campo e Contemporaneidade: Mudança, Afirmação e Desafios, a ser realizado de 22 a 24 de setembro, na Universidade do Estado da Bahia e o II Seminário de Pesquisa em Educação do Campo, organizado pela Universidade Federal de Santa Catarina, que acontece em novembro deste ano, terão a participação de estudantes da Universidade Estadual de Alagoas que tiveram trabalhos aceitos para apresentação.

Os alunos-pesquisadores são membros do O Núcleo De Estudos Agrários E Movimentos Sindindical Rural Em Alagoas, coordenado pelo professor Antonio Barbosa Lúcio. O Núcleo possui uma aluna bolsista da FAPEAL/UNEAL e oito bolsistas voluntários, dos cursos de Letras, História e Pedagogia do Campus I, em Arapiraca.

II Seminário de Educação do Campo e Contemporaneidade: Mudança, Afirmação e Desafios

Elâine Fernandes dos Santos (bolsista voluntária FAPEAL/UNEAL) e Josefa Mendes da Silva (bolsista FAPEAL/UNEAL), ambas do curso de letras-Campus I, tiverem seu trabalho aceito para apresentação: EDUCAÇÃO DO CAMPO: ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO E PERFIL DO PROFESSOR DA ESCOLA NO CAMPO EM ALAGOAS – UM DIAGNÓSTICO CRÔNICO; Erinaldo da Silva Santos, do curso de Letras-Campus I, com o trabalho AS DIFICULDADES DE ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA EM UMA ESCOLA DO (NO) CAMPO NO ESTADO DA ALAGOAS: O ENSINO DE LÍNGUA MATERNA EM UMA SOCIEDADE DE CLASSES. As alunas, Sileide Maria da Silva e Maria Cícera da Conceição R. da Silva também do curso de Letras-Campus I apresentação o trabalho EDUCAÇÃO DO CAMPO: PROBLEMAS E REALIDADES VIVENCIADOS NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA EM UMA ESCOLA NO AGRESTE ALAGOANO desenvolvido na Disciplina Sociologia da Educação, ministrada pelo Prof. Antonio Barbosa Lúcio.

II Seminário de Pesquisa em Educação do Campo
O aluno Erinaldo da Silva Santos (bolsista voluntário FAPEAL/UNEAL) do curso de Letras-Campus I, apresentará o trabalho AS DIFICULDADES DE ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA EM UMA ESCOLA DO (NO) CAMPO NO ESTADO DA ALAGOAS: O PAPEL DA ESCOLA NA SOCIEDADE CAPITALISTA.

O NEASR, em 2011, participou de eventos científicos, com pesquisas, em Sobral/CE, na Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA) e na UNEAL, no Campus IV, em São Miguel dos Campos, e no I Encontro da História da Educação, no Campus I, Arapiraca.
Além das pesquisas apresentadas, está em processo de conclusão, outra pesquisa voltada para análise das condições de funcionamento e de ensino em escolas do campo no agreste alagoano, voltada o ensino fundamental I(pedagogia) e o ensino de Fundamental II (História, Português e Inglês).

Atualmente, o NEASR, possui um acesso documental de noventa escolas camponesas, com entrevistas a professores e alunos e acompanhamento sistemático de atividades de ensino nas escolas camponesas.

Foram ainda elaboradas monografias de graduação, voltadas para análise das condições de vida e de trabalho de assalariados rurais alagoanos e organização sindical rural e, em breve, será lançada, com apoio da Reitoria, a Revista NOVO RUMO: REVISTA INTERDISCIPLINAR EM CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS que, m seu primeiro número, possuirá artigos produzidos no NEASR, desde 2003.

O professor Antonio Barbosa Lúcio ressaltou o empenho da UNEAL, através do reitor Jairo José Campos da Costa e da Diretoria do Campus I, em favorecer condições de participação nos eventos e, divulgação de pesquisas científicas realizadas no NEASR.  “O Reitor, entende a necessidade de favorecer a pesquisa na UNEAL e, com a política de incentivo, favorece e estimula professores e alunos a pesquisar, a ter a certeza de que seus trabalhos serão divulgados e reconhecidos pela comunidade acadêmica”, destacou o professor.
Visitem o site: http://neasr-al.blogspot.com/ www.neasr-al.blogspot.com que divulga trabalhos e reflexões sobre o mundo camponês brasileiro e alagoano.


segunda-feira, 14 de junho de 2010

Eleições para a Reitoria da UNEAL-2010

A UNEAL, no dia 10 de Junho de 2010, escolheu, em segundo turno, os Professores Jairo Campos e Clébio Araújo da Chapa 1. Os resultados que faremos uma reflexão abaixo, demonstram vitorias em todos os campi. Com a denominação de AUTONOMIA, a chapa 1, me parece, buscava se distanciar da política de subserviência aos governos estaduais e municipais. O que não signifique dizer que não precisará de tais governos e governantes, mas que, em minha concepção, urge a necessidade de pensar uma política de ESTADO para a UNEAL e não apenas de governos.
O resultados abaixo, no caso do segundo turno, foram coletados em: http://mundobr.pro.br/uneal/2010/06/11/chapa-1-e-vitoriosa/. Os do primeiro turno, enviado por e-mail por um amigo, após divulgação pela Comissão Eleitoral.
Aqui vou fazer uma comparação entre os resultados do primeiro turno, não apresentei por campus por não possuo, com os do segundo turno, este apresentado em detalhes. São análises do ponto de vista de quem apoiou a chapa 1, justamente porque acreditava nas propostas dos professores Jairo e clébio.Pontanto, se não acredito em neutralidade, na ciência, também, não acredito em lugar algum.
Certa vez um aluno perguntou o que fez com que eu tivesse dado apoio a chapa 1 e, na eleição anterior, mesmo tendo votado no professor Dacio/Laudirece, não explicitado ou participado de campanhas. A minha resposta foi a seguinte. Na eleição para Reitoria anteriormente, eu conhecia o Prof. Dácio, sabia quem ele era e, por isso, não faria campanha. Sabia, também, quem era a Diretora-presidente(também candidata). Resolvi pela opção mais plausível naquele momento. Sabia que iria exigir, como fiz, a realização da propostas, mas tinha em mente, que o apoio interligado aos interesses estatais, eram impeditivos de qualquer mudança. Já Jário e Clébio, possuem outra trajetória política, posicionamentos diferenciados e os qualificam para pensar uma Universidade verdadeiramente Autônoma, por isso, foi possível dizer a todos que temos alternativas de lutas. Creio que eu, e grande parte da comunidade acadêmica também acreditou em uma proposta que acredito ser séria. Vejam os dados abaixo:

RESULTADO GERAL NO PRIMEIRO TURNO

CHAPAS V D O V T E V A L V C TOTAL URNAS APURADAS
CHAPA 1 - 78 54 1165 49,43
CHAPA 2- 52 58 321 30,16
CHAPA 3 - 34 27 397 20,41
TOTAL VOTOS 164 139 1883 100,00 23
T D O T T E T A L

Legenda: VDO = Voto Docente; VTE = Voto Técnico-Administrativo; VAL = Voto Aluno; VC = Percentual de Votos Computados; TDO = Total de Voto Docentes; TTE = Total de votos Técnico-Administrativo; TAL = Total de voto Alunos.

RESULTADO GERAL NO SEGUNDO TURNO

Resultado Geral em todos os Campi da UNEAL
Chapas Doc. Téc.-Adm. Disc. % votos
Chapa 1: Jairo e Clébio 99 63 1452 57,93
Chapa 2: Laudirege e Rosângela 76 74 586 42,07
TOTAL 175 137 2038 100,00

O Resultado Geral, apontado acima, demonstra o que a comunidade acadêmica já tinha apontado no primeiro turno, a eleição da chapa 1 já vitoriosa. “a Chapa 1, com os Professores Jairo Campos e Clébio Correia, que obteve 49,43% dos votos válidos, e a Chapa 2, com as Professoras Laudirege Fernandes e Rosângela Nunes, e que obteve 30,16% dos votos. A Chapa 3, com os Professores Édel Guilherme e Moisés Calú, ficou com 20,41% dos votos, e, portanto, não participará do segundo turno”. (Em http://mundobr.pro.br/uneal/2010/06/07/primeiro-turno-homologado-no-consu/.

Mas, mas do que isso, demonstra o explícito e prioritário apoio dos alunos, com 1165 votos para a chapa 1 e, 321, chapa 2 e 397, chapa 3. Estava claro, já no primeiro turno que os alunos reprovavam os quatro anos da gestão Dacio/Laudirege. No segundo turno, mesmo aumentando a quantidade de alunos votantes, e tendo o apoio da chapa 3, a chapa 2, obtive crescimento negativo, com apenas 586 votos e, a chapa 1 crescimento positivo com 1452 votos, uma aumento relação ao primeiro turno de 287 votos. Por outro lado, podemos ainda sentir a ausência de grande parte dos alunos no processo eleitoral e, como positivo, a baixa quantidade de votos brancos e nulos, demonstrando que, por um lado,quem foi votar, tinha certeza em quem queria votar e, por outro lado, mesmo optando por votar branco ou nulo, também tinha certeza da necessidade de sua participação na eleição, faendo uma opção. Grande parte dos Professores e Setor Administrativo, compareceu as urnas, deram suas opiniões, buscaram possíveis soluções. Agora, cabe a tarefa de colocar em prática. Lembrar a História, não significa luta contra aqueles que expressaram opiniões contrárias, mas ressalta seus erros e acertos, pensar um novo futuro para a UNEAL.
A participação é importante numa Universidade que desde que foi estadualizada, se transformou em "cabide de emprego" de diversos governos estaduais. Acabaram com qualquer forma de participação direta da comunidade acadêmica que existia, mesmo quando ainda era apenas a Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca-FFPA, ligada a Fundação Educacional do Agreste Alagoano-FUNEC. Os governos Estadual e Municipal, viam na FFPA/FUNESA/UNEAL, local apropriado para desenvolver sua visão patrimonialista de administração pública, assegurando a manutenção e troca de Diretores-presidentes, de acordo com interesses polítiqueiros; mantendo distante a possíbilidade de realização de concurso público para funcionário, uma reivindicação de existia desde quando oficialmente se transformou em Fundação, mas que já vinha sendo exigida em diversas lutas da comunidade acadêmica.
Apenas no inicio da década de 2000, o curso de História, do atual Campus I, exigiu eleição para Coordenador de Curso, até então, também indicado pelos diretores-presidentes da FUNESA e que geralmente serviam o propósito de manter "calma" a comunidade acadêmica. Lutamos e conseguimos eleições. As primeiras em vários em mais de uma década. Usavam todo tipo de artimanha: o coordenador eleito do curso de História não recebia gratificação, enquanto os demais, eram agraciados sem questionamentos. Mesmo assim, passamos as demais exigências: Forum Universitário; realização de concursos para professores efetivos; qualificação de professores; melhorias no ensino; necessidade de pesquisa e extensão etc.
Estou lembrando esses fatos, visando ressaltar a importância do processo eleitoral atual. Este, veio após a primeira eleição para Reitor, eleito por quatro anos. Apesar da existência de eleição, agora, como Universidade, a gestão anterior passou a esquecer quem, de fato, teria colocado os atuais Reitores para gerir a Instituição: a comunidade acadêmica. Esqueceu tanto, que foi obrigado a renunciar. Assumindo a atual Reitora, procurou da continuidade a gestão anterior. Nada de novo, tendo em vista que foram eleitos juntos, mas, novamente, preferiu, manter a UNEAL, como local de uso e abuso do governo Estadual.
Essa situação, aponta para o fato de que a emancipação política, apesar de ser importante e necessária, não garante a emancipação humana. Não estabelece critérios que possam acabar com os usos e abusos do poder público estadual nas Instituições que, legalmente, são autônomas, como, de Direito, são as Universidades. Entretanto, podemos assegurar que pode haver mudanças, tendo em vista que esse mesmo poder público, deve passar a entender que a comunidade acadêmica não aceita interferência indevidas na Instituição e, sem dúvida, o resultado da eleição de 2010, para a Reitoria da UNEAL, marcou uma nova fase: os seguimentos disseram um sonoro NÃO a política de subserviência da UNEAL. com excessão do setor administrativo, o único caso em que a atual Reitora obteve maioria. Note-se que apenas em Arapiraca, aonde fica localizada a Reitoria. Nos demais Campi, geralmente houve empates e no de União dos Palmares, obteve esmagadora derrota. Atribuo esse resultado, a recente efetivação desses funcionários que, acredito, não sabem quem, de fato, lutou para a realização desse concurso.Não compreendiam, que a tentativa de não realização do concurso, pelo governo do Estado, era uma ação conjunta visando manter a estrutura de cabide de emprego que perdurava na UNEAL e, que, apenas foram nomeados em caráter precário, após, exigência do poder público. Geralmente, os professores que apoiavam a chapa eleita, estiveram presentes nessa luta, exigindo através do Sindicatos dos Professores e, grande parte dos estudantes, através de sua organização de classe.
Os dados abaixo, expressam a votade da comunidade acadêmica. Em uma eleição proporcional, com pouco mais de 33% dos votos para cada categoria, 57,93% disseram o que queriam. Ressalto, entretanto, que a construção de uma Universidade Pública, no interior de um Estado marcado pelo abandono do governo brasileiro, entregue a propria sorte, sendo historicamente dominado pelo Poder Usineiro, educação não foi e não é prioridadade. Por isso, exige de cada um a responsabilidade de começar a UNEAL enquanto Universidade. Até hoje, apesar das lutas existentes, sem elas nada teria acontecido, ainda existimos como se fosse uma Fundação gerida com interferência direta do poder público. Precissamos, sim, dizer BASTA.

Agora, veja o resultado organizado por categoria e Campus.

Campus I - Arapiraca
Chapas Doc Téc-Adm. Disc. % votos
Chapa 1: Jairo e Clébio 53 23 514 50,08
Chapa 2: Laudirege e Rosângela 39 51 321 49,92
TOTAL 92 74 835 100,00

No Campus I, houve grande apoio dos professores e alunos a chapa 1 e, elevado indíce de apoio do setor administrativo a chapa 2. Mesmo assim o percetual para a chapa 1 foi de 50,08, o menor entre todas os Campi. É interessante notar que, no Campus II, em Santana do Ipanema, a situação foi diferente, professores, em sua maioria apoiam a chapa 2 e os funcionários, a chapa 1. Seria necessária uma pesquisa aprofundada para verificar tal situação. Que fatores mobilizadores e contrários foram determinantes para que tal situação ocorra, especialmente em Santana do Ipanema e Arapiraca, tendo em vista que nos outros campi não ocorreria de forma semelhante?

Campus II - Santana do Ipanema


Chapas Doc. Téc.-Adm. Disc. % votos

Chapa 1: Jairo e Clébio 10 15 175 61,51
Chapa 2: Laudirege e Rosângela 14 6 70 38,49
TOTAL 24 21 245 100,00

Como dissemos acima, seria necessária uma pesquisa, mas, no momento, apenas podemos analisar os números consolidados. O fato é que, grande parte dos alunos e funcionarios disseram NÃO, dos 24 professores votantes, 14 votaram na chapa 2, correspondendo a vitoria da chapa 1 com 61,61% dos votos válidos e, uma expressiva diferença entre ambas de 23,02%.
Campus III - Palmeira dos Índios


Chapas Doc. Téc.-Adm. Disc. % votos
Chapa 1: Jairo e Clébio 25 11 300 56,02
Chapa 2: Laudirege e Rosângela 20 11 180 43,98
TOTAL 45 22 4 80 100,00
Em Palmeira dos Índios, a chapa 1, obteve 56,02%. Foi marcada pela expressiva maioria dos alunos votantes,(300) na chapa 1 com 120 votas a mais que a chapa 2. O empate entre o número de funcionários e, a quantidade de professores 25(chapa 1) e 20(chapa 2).


Campus IV - São Miguel dos Campos


Chapas Doc. Téc.-Adm. Disc. % votos
Chapa 1: Jairo e Clébio 4 5 201 67,17
Chapa 2: Laudirege e Rosângela 3 5 12 32,83
TOTAL 7 10 213 100,00


Diriamos que situação semelhante ocorre em São Miguel dos Campus(Campus IV) em relação a professores e setor administrativos, mas a grande diferença ocorreu mesmo em relação aos alunos: a chapa 1, teve 201 votos, contra apenas 12 da chapa 2, ou seja, 189 votos de diferença. O que, nos faz perguntar, novamente, o que os alunos perceberam, em São Miguel, optando prioritariamente pela chapa 1 que professores e funcionários adminstrativos, viram uma divisão? O que estaria em jogo entre as três categorias para ocorrer tamanha disparidade, tanto em números relativos como absolutos?

Campus V - União dos Palmares

Chapas Doc. Téc.-Adm. Disc. % votos
Chapa 1: Jairo e Clébio 7 9 261 96,29
Chapa 2: Laudirege e Rosângela 0 1 3 3,71
TOTAL 7 10 264 100,00
Mas, parece que a situação mais gritante ficou mesmo para o Campus V, de União dos Palmares. Era nele que o Prof. Jairo Campos era Diretor eleito por sua comunidade. Foi para União que as duas chapas derrotadas voltaram seus olhares para tentar descaracterizar a gestão do Prof. Jairo. E-mail's eram constatimentes enviados, pelos partidários da chapa 2, afirmando que o Prof. Jairo teria abandonado o campus, que cobrava taxas sem autorização da Universidade. A chapa 3, repetia essa mesma História, quando participou do Debate no primeiro turno das Eleições. Debate este, que a chapa 2 se omitiu em participar. Pareciam pretender criar um fato político, com tais informações que, quem conhecia o Prof. Jairo, sabia ser um inverdade. Reproduzia-se, em campanha, formas mesquinhas de fazer política. Sei que essa situação não é prerrogativa da UNEAL, tendo em vista que, por vezes, acompanho, algumas outras Universidades e vejo, a mesma forma de fazer política das "ruas". Mas, um erro não corrige o outro e, repetir mentiras, preconceitos pessoais( e mesquinhos), não funcionou na UNEAL. Nem copiar integralmente o Plano de Trabalho de outros candidatos(de outra Universidade), também não ajudou na manutenção do poder. Nesse sentido, União dos Palmares, deu a resposta: nenhum professor votou na chapa 2, acredita-se que o voto do funcionário composto nos resultados, seria aquele de fora de União dos Palmares, que teria ido fiscalizar a votação e, dos 264 alunos votantes, apenas 3 votaram na chapa 2.
Sem dúvida foi uma grande vitoria. Não vitoria apenas em relação a quantidade de votos, mas vitoria contra absurdos. União dos Palmares, como terra brava, de histórica luta de resistência, disse não as inverdades, aos preconceitos, ao descaso com que o campus é tratado.
Mas, a grande vitória foi da comunidade acadêmica em geral, pois soube escolher um projeto de trabalho efetivamente realizados por seus idealizadores. Um projeto que os atuais candidatos ao governo e a assembléia do Estado de Alagoas, tendo em vista viram qual a política derrotada, possívelmente já sabem que a UNEAL precisa ser levada a sério e, que sua comunidade acadêmica, se posiciona seriamente quanto o fato for negociar o desenvolvimento da UNEAL.
Finalmente, não esperemos mágicas. A construção de uma Universidade exige a participação de todos. Por isso, devemos sim, lembrar a história, como dito acima, mas devemos observá-la, também, com visão de futuro, ou seja, que UNEAL queremos? Essa resposta, exige que não tratemos como ganhadores ou perdedores, mas como comunidade acadêmica que almeja consolidae sua Instituição, mantendo seus interesses ideológicos, mas, prioritariamente pensando na UNEAL.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Integrantes do NEASR

O NEASR possui alunos que realizam estudos e pesquisas dos cursos de Letras e História da Universidade Estadual de Alagoas-UNEAL, são eles:

LETRAS

Josefa Mendes da Silva
Elâine Fernandes dos Santos
Antonia da Silva Santos
Erinaldo da Silva Santos
Adriana Bispo da Costa
Júnior Pinheiro de Araújo

História

Marcelo dos Santos Barbosa
Rafael Delmiro da Silva
Maria José dos Santos

Coordenador Prof.Msc. Antonio Barbosa Lúcio



Desenvolve-se estudos sobre a questão agrária brasileira, relacionando com a educação do(no)campo desenvolvida em escolas do Agreste e Sertão alagoano. Assim, os alunos estão pesquisando as condições de ensino das diversas áreas do conhecimento: português, Inglês, Francês e História. A pesquisa possui por objetivo identificar e analisar fatores que dificultam a igualdade de aprendizagem na educação no Estado de Alagoas. Além disso, pretende-se elaborar artigos; apresentação de trabalhos em eventos científicos; a acumulação de documentos sobre a História da Educação do(no)campo em Alagoas, através de entrevistas com professores e alunos(escritas e gravadas) e criação de acervo de fotografias.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Curso de Educação do Campo na UNEAL 2009

Curso Educação do Campo na Universidade Estadual de Alagoas- UNEAL 2009

CURSO PRESENCIAL EM EDUCAÇÃO DO CAMPO EM 4(QUATRO) ANOS(3.420 HORAS)
EDITAL EM SETEMBRO; VESTIBULAR AINDA EM 2009; INÍCIO 2009
60 VAGAS
Estão sendo liberados recursos na ordem de 240 mil reais anuais para realização do Curso de Licenciatura em Educação do Campo, através de um convênio aprovado pelo(a) MEC/SECAD/UNEAL. Serão oferecidas 60 vagas para o Estado de Alagoas no Campus I-UNEAL-Arapiraca.
DUAS HABILITAÇÕES
HABILITAÇÃO: Licenciatura em Educação do Campo- área de concentração: Línguas, Artes e Literatura (30 vagas);
HABILITAÇÃO: Licenciatura em Educação do Campo - área de concentração: Ciências da Vida e da Natureza (30 vagas);
PERFIL: formar professores em educação do campo nas áreas de línguas, artes e literatura e ciências da vida e da natureza; preparar profissionais, capazes de desenvolver atividades de ensino, organizar e interpretar pesquisas sociais.
CAMPO DE ATUAÇÃO: formação de profissionais; instituições públicas e privadas de ensino, movimentos sociais, associação de classe, sindicatos rurais e organizações não-governamentais, equipes de pesquisas e de intervenção social.
DA ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO CURSO

I-O curso tem a duração de 04(quatro) anos, divididos em 08(oito) semestres, com carga-horária total de 3.420 horas. Será organizado sob a forma de Pedagogia da Alternância formativa. Esta será desenvolvida em tempo-escola e tempo-comunidade;
II-O curso funcionará, na modalidade tempo-escola, as sextas-feiras (tarde e noite) e aos sábados (manhã e tarde), no campus I – Arapiraca/AL e, na modalidade tempo-comunidade, última semana de cada mês, em unidades de ensino selecionadas pelo colegiado do curso;

AS VAGAS OFERTADAS PARA INGRESSO MEDIANTE O PROCESSO SELETIVO VESTIBULAR ESPECIAL 2009-PARA ALAGOAS
o curso é prioritariamente destinado a:
_ Pessoas que possuem ensino médio completo_ educadores de escolas públicas de Educação Básica do campo em exercício atual ou em processo de inserção nas escolas de Ensino Fundamental ou Médio do campo;
_ Pessoas que concluíram o Ensino Médio e integrem ações educativas nas diversas organizações e Movimentos Sociais;
_ Pessoas que participam em movimentos sociais do campo, associação de classe do campo, sindicatos rurais, agricultura familiar e organizações não-governamentais rurais;_ Pessoas que atuam como educadores ou coordenadores de escolarização básica de jovens e adultos (Ensino Fundamental ou Ensino Médio na modalidade EJA) em comunidades camponesas, que concluíram o Ensino Médio.

terça-feira, 23 de junho de 2009

PENSAR O “MUNDO RURAL” NA UNEAL

A tarefa de refletir sobre o “Mundo Rural” numa Universidade do Interior de Alagoas, Estado prioritariamente de orientação agrícola, deveria ser uma atividade de fácil resolução. Entretanto, na mesma proporção que possui sua atividade principal voltada para a agricultura, não possuia estudos voltados para essa temática. Se no Estado, atualmente com diversas Universidades, a realidade do campo não é devidamente estudada, na UNEAL(Universidade Estadual de Alagoas), essa situação não seria diferente. Com quase quarenta anos de existência, não possuía estudos concentrados no campo. Isto se deve a própria organização das atividades da Instituição. Até finais da década de 1980, era uma entidade privada, voltada exclusivamente para a formação de professores e funcionava apenas em Arapiraca. A partir de 1990, foi estadualizada com a denominação de FUNESA (Fundação Universidade Estadual de Alagoas), e em 2006, a Universidade, como a denominação de UNEAL. Nesse período, passou a ampliar suas atividades para Palmeira dos Índios, Santana do Ipanema, São Miguel dos Campos e União dos Palmares. Houve a manutenção prioritária na área de educação, voltando-se para a formação de professores, mas ampliou-se, também, para os cursos de administração e ciências contábeis, zootecnia, direito.


Esta “vocação” para o ensino poderia até justificar a ausência de estudos no campo. Entretanto, também as escolas rurais não seriam prioritárias. Não é um caso típico da UNEAL, autores que estudam a educação do campo, como Caldat, enfatizam o distanciamento dos professores da realidade rural e, a insuficiência de pesquisas nessas áreas. Creio que refleti mais, a forma como é concebida o campo no Brasil e, na relação entre a forma de conceber os estudos e pesquisas centrados nas áreas urbanas. Em Alagoas, essa situação tende a se agravar, tanto pelo fato de que as prioridades das Universidades estão concentradas no urbano, como pelo fato de ser um Estado empobrecido, e o investimento em pesquisas, especialmente relacionadas as áreas humanas não parecem ser prioritárias. Outra questão suscita discussões: é o fato de os alunos, geralmente com ligações familiares em áreas rurais, não estudarem as temáticas que envolvem essa realidade. Talvez a questão esteja no fato de como as áreas rurais são vistas pelos alunos. Em recente pesquisa com estudantes de escolas rurais, realizada pelo NEASR (Núcleo de Estudos Agrários e Movimento Sindical Rural em Alagoas), no qual sou coordenador, alunos de escolas disseram querer abandonar o campo e, ao mesmo tempo, idealizam a cidade como local de prosperidade. Na realidade de Alagoas, morar no campo e na cidade pode fazer a diferença entre sair do grau de dificuldade extrema, para o patamar de dificuldade apenas. Ou seja, mesmo a diferença não sendo grandiosa, suscita no imaginário dos estudantes, um novo mundo que o rural não pode e não vai propiciar.

A partir do exposto, vou passar a refletir mais diretamente o que é ser um sociólogo do mundo rural na UNEAL. No meu caso, a preocupação em analisar o campo, teve influência direta da organização familiar, voltada para atividades rurais, mesmo sem morar nele. Ou seja, sempre fui de origem urbana e, diria, com um “pé no campo” pelas ligações familiares. Estudei na atual UNEAL, no curso de formação de Professores na área de Estudos Sociais, depois realizei especialização em Ciências Sociais e em Metodologia do Ensino Superior, além do curso de Pedagogia na UFAL (Universidade Federal de Alagoas), na capital alagoana. Em 1994 fui aprovado em concurso público na UNEAL e, em 2001, fui realizar o Mestrado em Sociologia na UFPB (Universidade Federal da Paraíba). Já na escolha da Universidade, foi pensado por mim uma universidade que estivesse voltada para estudos voltados para o campo, como era o caso da UFPB/Campina Grande. Já no projeto de mestrado direcionei para estudos voltados para analisar os trabalhadores rurais alagoanos. Essa escolha, além da ligação com o campo acima assinalada, teve por base a orientação marxiana que, de certa forma, apontava para a necessidade de desvelar as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores no Estado de Alagoas. A dissertação realização com o título “A ação sindical dos trabalhadores rurais a partir da década de 1970: as campanhas salariais dos canavieiros de Alagoas” teve como objetivo “a reconstituição e interpretação da trajetória da ação sindical na área canavieira de Alagoas, a partir da década de 1970, enfatizando-se especificamente as Campanhas Salariais postas em prática anualmente sob o respaldo da CONTAG e da FETAG/AL”. Após a conclusão do mestrado, em 2003, tive a preocupação de criar um Grupo de Estudos que, a princípio, procurava refletir, sobre a organização dos trabalhadores rurais no agreste alagoano. As dificuldades para a criação do grupo foram muitas: a) seria necessário “convencer” professores e alunos da necessidade de estudos para a área rural, e nesta, os sindicatos rurais; b) a continuidade do grupo; c) apoio Institucional; d) consolidação da linha de pesquisa. Como lecionava nos cursos de História e Geografia, essa situação pode ser contornada, pelo menos em relação aos alunos, tendo em vista que em relação aos professores, essa situação continuou sem solução, tendo em vistas que geralmente suas pesquisas estavam concentradas nas áreas urbanas.


Nesse grupo, passamos a refletir autores brasileiros e estrangeiros que tratavam da ação sindical. Assim, os textos de Marx, se tornaram uma necessidade para compreensão de como foram formados os sindicatos e quais suas finalidades na sociedade capitalista. Buscou-se, também, analisar as origens da questão agrária brasileira, nas teses de Caio Prado Junior, Otavio Ianni etc., e autores que analisaram a realidade brasileira e nordestina, como Manuel Correia de Andrade, Francisco de Oliveira, Milton Santos, como também, textos voltados para a análise sindical rural, como Sandra Correia de Andrade, Regina Novaes e Roberto Novaes. Em Alagoas, como dito anteriormente havia, como ainda há, poucos trabalhos nessa área de atuação. Assim, passamos a analisar a dissertação e tese de Paulo Dércio Mello, professor da UFAL. Seus estudos estavam voltados para as organizações dos trabalhadores rurais, notadamente, na região norte do Estado e. Beatriz Heredia, com estudo voltado para a área canavieira do litoral sul do Estado de Alagoas. Alem disso, autores que concentravam estudos teóricos na teoria organizacional do sistema capitalista, como Istivan Mézáros, dentre outros. Definia-se, dessa forma, uma orientação de análise das organizações sindicais, levando em consideração os efeitos do sistema capitalista na atividade rural e, as formas como as lideranças sindicais se posicionavam frente esse sistema. Ou seja, tanto as formas de organização dos sindicatos, com suas ações, como os trabalhadores rurais sentiam a presença sindical.

A partir desses estudos, dentre outros, foi possível a organização de trabalhos monográficos nas entidades sindicais de Girau do Ponciano, Coité do Nóia, Junqueiro e, ainda em fase de execução em Arapiraca e Taquarana. Por diversas razões, alguns estudos não deram continuidade. Inicialmente pretendíamos analisar as organizações sindicais dos dez municípios do agreste, mas a alguns alunos no decorrer de seus cursos direcionaram suas atividades para as áreas urbanas ou, no caso de História, para análises históricas, abandonando a orientação sociológica. Entretanto, estes estudos pareceram suscitar em outros alunos, análises também voltadas para as áreas rurais e seus trabalhadores, como foi o caso estudos voltados para trabalhadores das áreas canavieiras, especialmente, das condições de vida e de trabalho dos assalariados da cana-de-açúcar. Assim, tivemos monografias em Campo Alegre, Teotônio Vilella, municípios prioritariamente canavieiros e onde persiste um processo de exclusão do trabalhador, a reestruturação produtiva que propicionou maior racionalização do processo produtivo e, consequentimente, expulsão do trabalhador das propriedades, com o fim do sistema de morada. Este já vinha ocorrendo a partir do início da década de 1970, com a criação do Programa do Álcool (PROALCOOL), a fusão e incorporação de usinas, a transferência de usinas para o extremo sul de Alagoas, região de considerada adequada. Esta situação facilitou o uso intensivo de máquinas e a substituição de grande parte do contingente de trabalhadores canavieiros. Mas foi, em Alagoas, especialmente a partir de meados da década de 1980, que esse processo foi acentuado, com a inserção em larga escala do uso de máquinas, a definitiva consolidação do fim do sistema de morada, a exclusão das mulheres e do trabalho infantil. Este último, se não fosse da forma como ocorreu, substituido por mão de obra barata e abundante teria sido um dos maiores benefícios dessa nova forma de consolidação capitalista no campo no Estado de Alagoas.


Como podemos perceber, o grupo de Estudos sobre movimento sindical rural em Alagoas, teve que redimensionar suas atividades, inclusive, ampliando sua linha de pesquisa. Daí a Criação do NEASR. Além da necessidade de oficialização de suas atividades, a partir da nova estruturação da Universidade, as aspirações dos estudantes em realizar outros estudos voltados para o campo. Além dessas temáticas, outros estudos passaram a fazer parte do Núcleo, voltados para o Pronaf(Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e a Educação do(no) Campo. Assim, algumas temáticas passaram a fazer parte das atividades: sindicatos rurais; programas governamentais, voltados para a agricultura e; educação do campo.

Até então minha atuação profissional estava restrita aos cursos de História e Geografia que, sempre possuía alunos que, de uma forma ou de outra procuravam, quer por curiosidade quer por necessidade de realizar pesquisas, voltarem para tais estudos. Em 2007, solicitei transferência para os cursos de Biologia, Matemática, Direito e Letras. A nova realidade dificultou a continuidade de estudos nas temáticas anteriores, apontando para a concentração apenas na temática educação do campo. Este fato, possivelmente, se deve ao objeto de estudo desses cursos que, dificulta, exceto no caso de Direito, estudos voltados para questões de orientação social. Não que não possam, mas que, pela sua forma organizacional em um misto de licenciatura e bacharelado de orientação mais técnica, tende a distanciar os alunos do tipo de pesquisa que o NEASR realiza. Apesar de tentar convencer, alunos desses cursos que seus estudos podem suscitar discussões em todas as áreas do conhecimento buscando abranger formas multidisciplinas, confesso, que não ando tendo muito êxito nesse sentido. Entretanto, alguns alunos do curso de Letras, passaram a fazer parte dos estudos, voltando-se para análises da situação educacional em escolas rurais dentro da habilitação propiciada no curso. Nos demais cursos, essa situação ainda não vem acontecendo. Porém, alunos dos cursos de história e geografia, permanecem participando, inclusive realizando atividades de estudos e pesquisas voltados para os trabalhadores rurais.


Em 2007, o NEASR, organizou uma semana de Estudos com o tema: “Estudos Agrários: velhos problemas, novos desafios”. Esta possuía como objetivo propiciar condições para que alunos publicizassem os trabalhos que vinha realizando no decorrer de sua vida acadêmica. Contou com 30(trinta) trabalhos escritos; organização de painéis e; a participação de 170(cento e setenta) inscritos. Confesso que me surpreendi com a participação, tendo em vista que até pouco tempo, sequer as temáticas eram utilizadas como objeto de pesquisa. Tivemos a participação de alunos de diversos cursos, tais como: geografia, letras, história, direito, na UNEAL e, zootecnia e agronomia da UFAL.


Creio que essa participação ocorreu devido à propaganda repassada através dos alunos, as atividades de aulas voltando-se para análises rurais e, as atividades realizadas nos diversos cursos por professores e alunos da UNEAL. Pode-se dizer que, houve um despertar para estudos que estivessem voltados para a vida e o trabalho dos camponeses alagoanos.


Apesar das dificuldades acima apresentadas, foi possível ao menos, despertar para uma realidade que, no Brasil, permanece de certa forma invisível na academia. Enquanto o agronegócio é objeto de estudos das diversas áreas do conhecimento sob a forma de pesquisas para o aperfeiçoamento do setor produtivo, em relação aos trabalhadores rurais, as políticas públicas para esse setor, a produção do conhecimento que possibilitasse visibilidade e que colocassem na agenda social esses trabalhadores, ainda, no Estado de Alagoas, não pode ser vista como área de atuação prioritária.

Na verdade, faltam posicionamentos que envolvam estudos interdisciplinares e transdisciplinares que congreguem atividades aparentemente diferenciadas, como a Sociologia, a Matemática, a Biologia, o Direito, a História, a Geografia etc., que propiciasse ao acadêmico a possibilidade de compreensão de sua realidade enquanto totalidade. Essa situação, não vem ocorrendo na UNEAL e, creio eu, pela própria situação dos trabalhadores do(no) campo, em grande parte do país. Não se trata, pois, do abandono do objeto de pesquisa de cada área do conhecimento, mas de interrelacionar os estudos, propiciando maior mobilidade entre as disciplinas e, mais que isso, de redimensionar o conhecimento para a efetivação e consolidação de estudos que favoreçam a compreensão e intervenção nas diversas realidades a ser analisadas.


A necessária análise da realidade camponesa, não se coloca como algo especial a ser estudado, mas apenas como objeto de análise com insuficiência de estudos nessa área. Ou seja, nesse caso, não é apenas um problema da UNEAL, mas da própria estruturação do ensino universitário compartimentalizado e, por vezes, desconectados entre si. Assim, a Sociologia, por vezes, é vista como uma disciplina não necessária aos cursos das áreas ditas mais técnicas ou, quando muito, passa a ser entendida como uma disciplina complementar que, se possui alguma importância não favoreceria ao aluno conhecimentos específicos. Não é entendido o caráter extrínseco da Sociologia, enquanto produção do conhecimento voltado para a própria essência do ser social. Assim, por vezes, alunos de Biologia, Matemática e Letras, possuem dificuldades em apreender um conteúdo que, em última instância, não faz parte do corpo específico do curso que estão realizando. Mesmo no Curso de Direito, aonde essa situação poderia não ser tão diferenciada, tendo em vista a conectividade do trabalho do jurista com a realidade social, tende a não ser compreendida a importância de estudos sociológicos. Em meu entender, essa situação, parece ser parte de uma “cultura” da especialização, do norteamento das atividades dos referidos cursos. O curso de geografia, por exemplo, com sua aparente dicotomia entre o campo humano e físico, tende a afastar a possibilidade de ampliação de estudos para além do que vem sendo produzido. Ou seja, ocorrem, por vezes, tentativas de fechar o conhecimento, de concentrar os estudos exclusivamente nas especificidades. Perde-se, com essa visão, a possibilidade de ampliação da capacidade de reflexão para além do especifico ou, ao menos, de perceber esse específico numa dimensão mais ampla.


Daí, entender a relação entre capital e trabalho fica comprometida. E, as relações destes com a terra, passam despercebidas. Mais que isso, o próprio ser social, tende a ficar distante de parte dos estudos. É notório que estou falando aqui, a partir da minha experiência como professor de Sociologia dos cursos citados e, sob avaliações da percepção dos alunos em relação ao conhecimento produzido pela Sociologia. Não há, pois uma relação negativa voltada para estudos sociológicos nesses cursos, mas uma visão centrada na necessidade de aplicabilidade, pois, geralmente, a dimensão do conhecimento socialmente produzido, pela própria forma como as disciplinas são organizadas, prevalecendo o teórico sobre a aplicabilidade, tende a distanciar a compreensão. Não é percebida a interrelação entre teoria e prática. Entretanto, essa dimensão tende a ser mais aceita no curso de História. Pela própria relação entre Sociologia e História, os tipos de questionamentos acima assinalados, não ocorrem com tanta veemência. Ocorrem dificuldades, quanto à possibilidade de introjetar o conhecimento fazendo-o parte da construção do arcabouço teórico dos educandos e, da própria ampliação desse conhecimento enquanto compreensão da realidade social e a necessária transformação dessa realidade. Nesse ponto, o curso de História se assemelha aos demais.


Em todos os casos acima, voltar os estudos para o mundo rural continua sendo uma dificuldade presente e, ainda de difícil resolução. Sem pensar as formas de apropriação das terras e os efeitos delas decorrentes, não pode ser possível compreender o mundo urbano, tendo em vista que as relações existentes no campo influenciam e são influenciadas por outras realidades. O aluno urbano tende a centralizar suas percepções como se da terra não necessitassem, como se a natureza não fosse a causa primeira da existência humana. Permanece, na maioria dos casos, com visões ou romantizadas do campo, voltando-se para um mundo idealizado de paz ou, a visão do atraso. O camponês é visto ainda como atrasado e, os movimentos camponeses, como maléfico para a sociedade. Por vezes fico admirado com pessoas geralmente com acesso a conhecimentos mais amplos, ignoram a realidade rural e, criminalizam as atividades voltadas para a conquista da terra.


Não é por demais lembrar que o camponês assalariado, na acepção moderna do termo, é uma categoria recente, oriundo da expropriação da terra, dos constantes processos migratórios forçados e da ideologização das cidades como local de prosperidade em contraposição ao campo como local do atraso. Mas se essa situação persiste, ela tem por base raízes históricas que deixaram de favorecer os camponeses e os colocaram sob o poder do capital agrário monopolizador. A persistência do latifúndio fortaleceu o empobrecimento do trabalhador e o colocou a margem da sociedade. Este trabalhador perdeu sua capacidade produtiva a partir do momento que não possuiu a terra como instrumento de trabalho. Esta terra, apenas persiste como ferramenta de trabalho, quando o resultado do trabalho passa a ser direcionado para os outros.


A persistência de criminalização dos movimentos sociais por alunos universitários tem como fundamento a própria sistemática de organização ideológica em que estão inseridos. Ou seja, a construção do imaginário urbano de felicidade, justiça, religião etc., tende a ordenar os individuos sob a lógica de que a distribuição de mercadorias deve ser necessariamente desigual. Daí, a manutenção da existência de dois mundos dicotomizados: o rural e o urbano. Esta situação não é de fácil solução, tendo em vista o distanciamento da produção do conhecimento envolvendo os diversos setores da sociedade. Aquele ideal de justiça, por vezes, é confundido com o direito existente no mundo capitalista, com orientações religiosas de acesso aos bens produzidos socialmente através do trabalho e, de que o individuo pode ser feliz independentemente da sua condição social ou do acesso as mercadorias produzidas. Observe que dentre essas mercadorias, a educação, estaria entre aquelas que possuem sua distribuição mais desigual e, ao mesmo, dificulta, e às vezes impossibilita, o acesso a outras atividades da produção. Por vezes, percebo alunos que criminalizam os movimentos sociais rurais em luta pela terra, sem perceber a origem agrária brasileira e as consequencias dessa situação para o conjunto dos trabalhadores. Na idealização da justiça, deve possuir a terra quem conquistou através do trabalho. Entende-se, por esse prisma, que seria quem acumulou riquezas, e não efetivamente que trabalhou na terra e que, devido às condições propiciadas pelo assalariamento, não pode ter acesso.


Conversando com um camponês do sertão alagoano, sem formação superior ou qualquer outra formação a não ser aquela que a vida lhe propiciou, pude verificar sua indignação por possuir água em suas terras e não ter condições de extrair-la através de um poço artesiano, tendo que, obrigatoriamente solicitar que seu vizinho, abastardo economicamente, conceda o acesso a um poço. Pude refletir como quão distante estariam aqueles que vivem em cidades dessa realidade, de perceber como o assalariado urbano, por vezes, não compreende a dimensão de sua exclusão social. Este camponês pode refletir sobre sua condição de vida e as dificuldades geradas pelo descaso político, que o afastam de uma vida, senão digna, pelo menos acessível aos bens básicos de sobrevivência. Mesmo possuído sua história escrita sob a lógica dominante, conseguiu entender, em sua simplicidade, que alguma coisa não estaria correta. O mundo urbano universitário parece ter perdido a capacidade de compreensão de como esta realidade é difícil de ser colocada em xeque, persistindo um individualismo voltado exclusivamente para tentar sanar questões de orientação imediatista. Parece ter perdido, também, a capacidade de indignação consciente, para além do senso comum, de como as possíveis respostas as dúvidas do camponês podem ser apresentadas. Isto devido ao fato de sequer haver, com mais ênfase, questionamentos que levem em consideração o saber camponês e suas possíveis soluções para o conjunto da sociedade.


Nesse sentido, a Sociologia Rural estaria distante de, pelo menos, desvelar as condições de vida e de trabalho existentes do camponês. José de Souza Martins (2001) em “O futuro da Sociologia Rural e sua contribuição para a qualidade de vida rural” diz que

“A sociologia rural tem um pesado débito para com as populações rurais de todo o mundo. As gerações vitimadas por uma sociologia a serviço da difusão de inovações, cuja prioridade era a própria inovação, ainda estão aí, legando aos filhos que chegam à idade adulta os efeitos de uma demolição cultural que nem sempre foi substituída por valores sociais includentes, emancipadores e libertadores: ou legando aos filhos o débito social do desenraizamento e da migração para as cidades ou para as vilas pobres próximas das grandes fazendas de onde saíram, deslocados que foram para cenários de poucas oportunidades e de nenhuma qualidade de vida(MARTINS,2001:1)”.

Assim, haveria a necessidade de ampliar estudos que levassem em consideração o “mundo do camponês” e, mais que isso, a percepção de que esses estudos seriam ponto de partida e não de chegada, para a compreensão do Brasil da forma como estaria sendo continuamente reeditado, tanto na literatura voltada para sua análise, como própria vivencia de seu povo. Em ambos, o que estaria em jogo, seriam as faces da exclusão social e, das ilhas de prosperidades existentes. As duas realidades estariam presentes em um país de dimensão continental e, de extrema miséria, perpetuando relações de concentração de poder.

Considero que haveria certa cegueira diante os fatos e acontecimentos sociais voltados para o camponês. Mesmo não sendo uma característica centrada exclusivamente no camponês, mas típico da forma como se concebe atualmente os estudos da sociedade, ocorrem tendências centralizadoras de análises que excluem perspectivas que levem em consideração o conjunto das ações voltadas para esse contingente populacional. Restou ao camponês, as mazelas do Estado autoritário, clientelista, assistencialista e de orientação burocrática que, em última instância, compreende-o apenas como aquele individuo que deve permanecer na sua condição social ou, no máximo, aquele que deve abandonar as áreas rurais para dar lugar a grande propriedade ou ao agronegócio.


A Universidade, nesse contexto, parece reproduzir os valores existentes sob o domínio exclusivista das elites econômicas, não favorecendo alternativas frente ao processo desencadeante de manutenção do modelo de organização social que não leva em consideração os diversos sujeitos envolvidos. Permanece a lógica de que o mercado é que estaria determinando a existência das diversas habilidades necessárias para sua continuidade. Ou seja, absorveu a lógica capitalista de exclusão social, como sendo uma prerrogativa da sociedade e, não percebeu que se essa lógica é persistente, possui como centro gerador a própria estrutura de dominação enraizada nas relações sociais, impostas pelos grupos hegemônicos.


A reflexão do rural brasileiro e, do camponês inserido nesse rural, aos poucos foi perdendo a dimensão que poderia ter alcançado. Se em décadas anteriores, tal dimensão era pouco analisada, mas que poderia ter alçado a esferas maiores, a partir de estudos como os de Caio Prado Jr. Celso Furtado, Otávio Ianni, Manuel Correia de Andrade etc, houve, de certa forma, arrefecimento dessa dimensão para, inclusive, o quase completo abandono. É preciso observar, no entanto, que estou falando de estudos voltados para a interpretação do Brasil, em suas diversas realidades, das consequencias favorecidas pelo capitalismo agrárioexportador na vida cotidiana dos trabalhadores do campo, com suas práticas centradas na “revolução verde” e, no processo de reestruturação produtiva, ocorrido mais recentemente no país. Não houve débitos de alguns setores da ciência em produzir tecnologias, notadamente, centradas nas universidades brasileiras que favorecessem o crescimento desordenado e alienante do conhecimento, especialmente na produção e concentrado dessas tecnologias sob o domínio do agronegócio. O que houve e há, é o direcionamento do conhecimento produzido para as populações camponesas.

No âmbito da Sociologia, como disse Martins, acima citado, especialmente a rural, tendeu a perpetuar o débito com as populações rurais. O que significa dizer, que se a universidade não propiciar condições de reflexão e de tomada de posição frente à atual situação do camponês, tenderá a ocorrer a persistência da miséria e da exploração. Não se trata, pois, de ser a geradora da transformação social, mas de possibilidade de reflexão para além do que vem existindo.

Em Alagoas, essa situação é gritante, tendo em vista que a não efetivação de políticas para além de um assistencialismo tacanho, de orientação semelhante às práticas mantenedoras da escravidão no Brasil Colônia e Império, dificultam reflexão para além da condição de permanência das relações de dominação, até pela falta de sujeitos que almejem refletir tais áreas do conhecimento.

domingo, 30 de novembro de 2008

SEMINÁRIO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DO CAMPO

SEMINÁRIO NACIONAL DE APOIO AO PROGRAMA DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO DO CAMPO- PROCAMPO
Antonio Barbosa Lúcio


Foi realizado, em Brasília, o Seminário Nacional de Apoio ao Programa de Licenciatura em Educação do Campo- PROCAMPO, com a participação de 27 Universidades brasileiras participantes do Programa, sendo 4 com experiências-piloto e 23 novas universidades envolvidas no Programa. A Universidade Estadual de Alagoas-UNEAL, esteve presente através do Coordenador do Curso, Prof. Antonio Barbosa Lúcio, aprovado pelo MEC/SECAD.


O Programa incentiva a institucionalização, nas universidades do Procampo. Para tanto, neste projeto serão enviados recursos na ordem de 960.000,00( novecentos e sessenta mil reais), para realização de cursos presenciais.


O A seminário, realizado em 27 e 28 de novembro de 2008, possuía os seguintes objetivos:


a) Promover a articulação entre instituições comprometidas com a execução do Procampo, a fim de fomentar a institucionalização da Rede de Formação de Educação do Campo;
b) Expor para as instituições selecionadas no processo seletivo desencadeado pelo Edital nº 2/2008, o formato e as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação para o Procampo;
c) Intercambiar experiências-piloto desenvolvidas no âmbito das Universidades Federais de Minas Gerais, Sergipe, Bahia e Universidade de Brasília;
d) Esclarecer dúvidas acerca da gestão orçamentária do Programa, com a presença de equipes da Secretaria de Educação Continuada, alfabetização e Diversidade -SECAD e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE;
e) Fomentar a expansão do Programa de forma articulada, visando o fortalecimento das diretrizes nacionais propostas para os cursos de licenciatura em educação do campo, a fim de otimizar sua institucionalização junto às universidades e sua regulamentação pelo Conselho Nacional de Educação(Rede, pesquisas, eventos, publicação);


Com a participação de todas as universidades envolvidas no Programa, ficou estabelecida, para 2009, a realização de eventos locais, estaduais, regionais e nacionais; a organização de redes de intercâmbio entre as universidades envolvidas; a fomentação de pesquisas e publicações. Couberam, também, as universidades a interação com os movimentos sociais e a definição de critérios para os vestibulares. Além disso, foi proposta agendamento de reunião entre uma comissão de universidade e o Ministro da Educação e o Secretário da SECAD visando sanar questões voltadas para a gestão dos cursos.

As Universidades que já realizaram( ou estão realizando) projetos de Educação do Campo, como UnB, UFBA, UFS e UFMG, relataram as experiências com o Programa, enfatizando o sucesso das atividades, tanto por parte da efetivação do curso como a ampliação da participação dos diversos segmentos sociais envolvidos. Ressaltou-se, também, a importância de um curso voltado para trabalhadores camponeses. Entendem, também, que a Educação do Campo, não nasce no Estado, mais vai alem e independente dele por ser fruto de aspirações dos camponeses e da necessidade de democratização do ensino como política de governo e não de Estado. O curso de Educação do Campo, de formação multidisciplinar, por vezes, não seria entendido pelos representantes das licenciaturas tradicionais. Ressaltam as universidades que a meta principal não seria eliminar as áreas tradicionais, mas redimensionar, buscando outra forma de conceber o ensino de graduação. Busca, também, ser marco político de transformação da vida, sendo aspirações históricas de dificuldades de acesso, atender a demanda existente e favorecer a ampliação da educação básica aos camponeses brasileiros. Funcionando na forma da Pedagogia da alternância, os cursos visam tanto a formação em tempo-escola como em tempo-comunidade, buscando maior interação entre os saberes produzidos na universidade com os produzidos nas comunidades envolvidas. Foi destacada, também, a historicidade do Programa nas experiências-piloto, enfatizando a organização de parcerias com os movimentos sociais e a necessidade de compreender o aluno coletivo, aquele que não representaria apenas a si próprio, mas a comunidade a qual é parte constituinte.


O prof. Armênio Bello Scmidt, Diretor de Educação para a Diversidade ressaltou que o MEC está ampliando o atendimento em Escolas no Campo, com a construção de escolas em áreas rurais, necessitando apenas que prefeituras enviem projetos. Destacou, entretanto que os municípios não apresentam projetos. Dos 376 municípios selecionados, apenas 19 teriam apresentados projetos. Destacou, também que nos últimos 6 anos foram fechadas cerca de 25 mil escolas no campo. Além disso, das escolas existentes 49 mil possuem apenas uma sala de aula.


O Estado de Alagoas conta com dois Projetos Aprovados: o da Universidade Estadual de Alagoas-UNEAL e o da Universidade Federal de Alagoas-UFAL. Estes dois programas oferecerão 60 vagas cada, destinado aos camponeses alagoanos.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

OPINIÃO: O FRACASSO OU SUCESSO DAS GREVES: UNEAL EM QUESTÃO

(Meu computador possui problemas com interrogação. Até ele!!!)

O sucesso ou fracasso de uma greve depende de uma série de fatores. Seria necessário compreender a dinâmica que envolve os movimentos sociais. Estes movimentos, por sua forma de organização, exigem participação efetiva e, objetivos claros e definidos. Entretanto, por vezes são espontâneos, direcionando para sanar questões de cunho imediatistas. Os movimentos acadêmicos, inclusive o sindical, dentro da lógica dos movimentos sociais, não estariam aquém dessas questões. Como não estaria fora da lógica capitalista de acumulação.

Na história dos movimentos sociais, a prática que prevaleceu foi mesmo a busca por questões de orientação imediata. Sendo assim, as questões economicistas, como por exemplo, melhorias salariais não ficariam fora da agenda dos movimentos. Esperar que fosse diferente, seria o mesmo que não entender que homens e mulheres lutam, em primeiro lugar, para sanar suas necessidades básicas. Resolvidas tais questões, buscariam outras formas de superação das desigualdades. No caso concreto da UNEAL, os professores não estariam fora da realidade que se apresenta.

Não são Deuses que colocariam questões de manutenção da vida, fora das reivindicações. Assim, seria necessário compreender que a luta por manter uma Instituição funcionando adequadamente( e não estou falando apenas de aulas), vai além de medidas econômicas, mas passam necessariamente por elas.

Se entendermos como fracasso, a não conquista das questões imediatas ou as de orientação estrutural, tendemos a reproduzir a lógica capitalista de manutenção de seus interesses. Perpetuamos a visão quantitativa sobre a qualitativa e, não percebemos que o capital se sobressai justamente por acirrar as divergências entre trabalhadores e filhos de trabalhadores. Por essa lógica de perpetuação de relações conflituosas entre os trabalhadores, utiliza-se, justamente aquilo que mais afeta aos indivíduos: a sua condição de sobrevivência.

Nesse sentido, acirra-se nos alunos o que ele necessita de mais imediato que seria o diploma para, supostamente, manter-se vivo. Nos professores, a questão salarial. Em ambos, divergências, cooptação, disputas, apatia. Pretende-se, ampliar o debate, para o campo unicamente do imediatismo e, ao mesmo tempo, fortalecer a idéia de que questões estruturais devam ser esquecidas, abandonadas ou simplesmente, sequer mencionadas.

Por essa lógica, a greve fracassaria quando não atenderia as supostas necessidades. A greve, enquanto escola de aprendizagem possibilitaria condições de que, aos poucos, os indivíduos envolvidos, conseguissem perceber que não apenas eles estariam em tais condições, mas o conjunto da sociedade estaria sofrendo as conseqüências das políticas públicas adotadas pelo Estado. Este, como representante dos anseios do capital se concretiza nas ações de seus representantes mais imediatos e que acatam suas determinações como se fossem cordeirinhos. Não se furtam em se pronunciar em nome da suposta defesa de uma maioria indefesa que, no nosso caso, seriam os alunos “prejudicados”. Utilizam, também, seus organismos restitutivos, como o Poder Judiciário, por exemplo. Mas, não deixaram de fazer uso do aparelho repressivo, se o primeiro caso não funcionar. A repressão, de início, parece branda, com suspensão de salários. Visa-se atingir, efetivamente, o princípio básico de manutenção da vida. Pretendem, portanto, forçar divergências, especialmente, no campo imediatista. Estas medidas visam, também, suscitar divergências entre os agrupamentos sociais para que não compreendam a amplitude de sua luta.

Mas, o Estado, representado em seus governantes, não se contentaria com medidas judiciais, corte de salários, ameaças com possíveis demissões. Amplia seu poder de persuasão entre os envolvidos, no nosso caso, professores e alunos. Passa, portanto, a cooptar, também, grande parte destes. E aí, teremos os defensores do fim da greve; aqueles que falam de sua ineficácia e eficiência; os “bonzinhos” que não querem prejudicar os alunos; os omissos, que não tomam posição, justamente por temer represálias quer jurídicas quer nas relações de poder existente nas Instituições. Por parte dos alunos, teremos, de forma semelhante, a visão maniqueísta do fracasso ou sucesso; dos que só querem voltar as aulas; os que serão pressionados por professores que não aderiram a greve; os que são contra ou que defendem.

Como marionetes, os grupos são manipulados pela lógica capitalista. Inclusive, passamos a acreditar que não seríamos passíveis de manipulação, devido o nosso “arcabouço teórico, de conhecimentos adquiridos”.

Caso não funcione as diversas tentativas de persuasão. O Estado passaria a ampliar sua força repressiva, utilizando, inclusive o poder de polícia. Este seria utilizado para conter os que contestam com mais veemência. Utilizado geralmente em último caso, o poder repressivo, também necessitaria ser justificado. Volta-se, portanto, para a suposta defesa da sociedade, do bem comum, dos interesses gerais sobre os individuais. A cantinela estaria pronta, se ainda não sobrassem os que insistiriam em resistir.

Como o poder repressivo não pode ser usado indistintamente e continuamente, cabe a busca desenfreada por convencimento ideológico. Este seria utilizado tanto para esclarecer os posicionamentos dos grupos dominantes, como para ludibriar os envolvidos, inclusive falseando a realidade, omitindo questões essenciais, mitificando as relações dos grupos envolvidos, sabotando as conquistas, ampliando os conflitos.
Para quem achava que a greve da fracassa apenas pelo fato de que as lutas sindicais tem teriam tido êxito econômico ou devido a ações judiciais, eu diria que ela ainda está apenas começando, para sequer ter sido fracassada. Os representantes do Estado e seus fiéis colaboradores, ainda não colocaram a mesa todas as suas cartas. Já utilizaram a lógica do suposto apoio a greve e a legalidade das reivindicações; utilizaram os meios instituídos para forçar o final das reivindicações; cooptou professores e alunos e, estes forçaram alguns a assistir aulas, outros nem foi preciso; utilizou o Poder Judiciário, provocando-o para finalizar a greve; escondeu quem, de fato, teria proposto a ação judicial; propagou a inutilidade da greve nos meios de comunicação; utilizou formas para acirrar os conflitos internos; ameaçou cortar salários, multas ao sindicato, possível demissão de grevistas ou quem sabe, futuramente, contratação em regime de urgência de professores substitutos. Mas, ainda falta a ampliação dos aparelhos repressivos, usando o poder de polícia. Não se enganem! Este será usado concomitantemente ou quando os outros meios não funcionarem.

E, agora, veremos se a greve não funciona. Se não estivesse funcionando, não teríamos tantas ações sendo realizadas visando acabar com ela; não teríamos quase cem por cento dos professores e alunos paralisados; manifestações ocorrendo em quase todos os campi; mobilização de poderes políticos locais que, estão sendo provocados por professores e alunos para se manifestarem; a Reitoria não teria provocado o Poder Judiciário; denúncias da estrutura física insuficiente e inadequada; alunos que por vezes não sabiam quais eram as políticas estudantis, provocando e, quem sabe questionando, a falta de uma pró-reitoria estudantil; a realização de concurso público para funcionários, reivindicado e, constantemente postergado, quando foi criada a Fundação Universidade Estadual de Alagoas, em meados da década de 1990. E, prioritariamente, como uma escola de classe, a greve propiciou reflexão sobre os destinos, não apenas da UNEAL, mas do próprio ensino universitário brasileiro.

domingo, 16 de novembro de 2008

CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM EDUCAÇÃO DO CAMPO/UNEAL

A UNEAL, através da PROGRAD teve aprovado no MEC, o curso de Licenciatura em Educação do Campo, com áreas de concentração em LÍNGUAS, ARTES E LITERATURA e CIENCIAS DA VIDA E DA NATUREZA, tendo como organizador da proposta o Professor Antonio Barbosa Lúcio(UNEAL-CAMPUS I). Serão disponibilizados R$960,000(novecentos e sessenta mil reais), para administrar o curso. Este, será presencial, em 4(quatro anos), funcionando as sextas e sábados. Destinando 60(sessenta vagas para 2009 e voltado, exclusivamente aqueles alunos de oriundos de escolas públicas, que moram na zona rural, participam de associações, sindicatos rurais, entidades não-governamentais rurais e, professores e funcionários de escolas rurais .
PERFIL: formar professores em educação do campo nas áreas de línguas, artes e literatura e ciências da vida e da natureza; preparar profissionais, capazes de desenvolver atividades de ensino, organizar e interpretar pesquisas sociais.
CAMPO DE ATUAÇÃO: formação de profissionais; instituições públicas e privadas de ensino, movimentos sociais, associação de classe, sindicatos rurais e organizações não-governamentais, equipes de pesquisas e de intervenção social.§ 1º o candidato deverá indicar, no ato da inscrição, por uma das habilitações acima especificadas. A partir do 6º período do curso, deverá seguir a habilitação solicitada na seleção, na proporção de 30 alunos para cada habilitação.I - O curso de Licenciatura em Educação do Campo, de orientação multidisciplinar, possui formação nas séries finais do ensino fundamental e, em licenciatura plena, no ensino médio, com a conclusão da habilitação escolhida. II- o Curso de Licenciatura em Educação do Campo é um convênio aprovado pelo(a) MEC/SECAD/UNEAL realizado em outubro de 2008;
DOS OBJETIVOS
I) Objetivo geral
• O Curso tem por objetivo formar e habilitar professores em Licenciatura Plena em Educação do Campo, voltado para formar professores das séries finais do ensino básico e ensino médio com áreas de concentração em Línguas, Artes e Literatura e Ciências da Vida e da Natureza
Objetivos Específicos:
• Ampliar a capacidade de compreensão crítica e a capacidade de atuação frente à realidade camponesa;
• Propiciar apropriação do conhecimento sobre a realidade brasileira, especialmente no processo de organização do trabalho no campo;
• Favorecer a apropriação crítica de procedimentos teórico metodológicos da atuação do profissional, voltado para educação do campo;
• Capacitar profissionais com formação interdisciplinar, capazes de refletir e intervir na realidade do campo;
• Produzir conhecimento científico sobre Educação do Campo;
• Propiciar condições para que o profissional do campo possa refletir criticamente a relação dialética entre o local e a totalidade da vida cotidiana do camponês;
• Favorecer análises de políticas públicas, de organismos não governamentais e da sociedade civil organizada de educação do campo;
• Capacitar professores para atuar em escolas e experiências alternativas de educação do campo;
• Favorecer processos de integração universidade/comunidade do campo, visando intercambio entre os saberes construídos socialmente;
• Elaboração de projetos de intervenção social e gerenciamento de atividades em escolas do campo.
DA ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO CURSO
I- O curso tem a duração de 04(quatro) anos, divididos em 08(oito) semestres, com carga-horária total de 3.420 horas. Será organizado sob a forma de Pedagogia da Alternância formativa. Esta será desenvolvida em tempo-escola e tempo-comunidade;
II- O curso funcionará, na modalidade tempo-escola, as sextas-feiras (tarde e noite) e aos sábados (manhã e tarde), no campus I – Arapiraca/AL e, na modalidade tempo-comunidade, última semana de cada mês, em unidades de ensino selecionadas pelo colegiado do curso.

DA SELEÇÃO
Memorial descritivo sobre a atuação do candidato em escolas do campo; em experiências de atividades sociais do campo; sobre a vida cotidiana no campo e, os objetivos almejados com o curso.Avaliação através de provas voltadas para o conhecimento nas áreas de atuação do curso: Linguagem e códigos (português, literatura, artes e língua estrangeira), ciências humanas e sociais (Filosofia, Sociologia, História, Geografia), ciências da natureza e matemática (Matemática, Física, Química e Biologia) e, ciências agrárias. Comprovante que trabalha em escolas do campo (como professor ou atividades correlatas ou atividades ou em escolas do campo; que é oriundo de setores ligados a agricultura familiar; participação em movimentos sociais do campo; Comprovante de conclusão do ensino médio; Compromisso de que não possui outra Licenciatura.
O memorial e, as avaliações específicas, constituirão condições para que o candidato possa estar habilitado a realizar o Curso de Licenciatura Plena em Educação do Campo até o limite de vagas estabelecido neste projeto de curso. Os comprovantes exigidos deverão ser analisados para o processo de homologação das inscrições.

A CANTORIA CONTINUA DE PÉ (DE PAREDE) OU COMO FALAR DE LIBERDADE NA VELHA ESTRUTURA DE PODER

A CANTORIA CONTINUA DE PÉ (DE PAREDE) OU COMO FALAR DE LIBERDADE NA VELHA ESTRUTURA DE PODER

A CANTORIA CONTINUA DE PÉ (DE PAREDE) OU COMO FALAR DE LIBERDADE NA VELHA ESTRUTURA DE POD[1]


Antonio Barbosa Lúcio[2]


Este texto visa refletir sobre o processo de consolidação da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) como IES pública e de qualidade. Destaca os principais entraves tanto externo como interno que constituíram a história da UNEAL. Buscou-se demonstrar que a política neoliberal para a educação desencadeou desestruturação da Instituição com a ampliação de processos privativos do ensino, ingerência político-administrativa e desconfiguração da dinâmica organizacional da Universidade.A lógica capitalista de produção não possui limites. Sua força representa a fraqueza da população. Seu instinto devorador é diametralmente oposto a luta de seu povo. Resistir e acatar são posições que não se assemelham. Falar em liberdade na velha estrutura de poder significa colocar em xeque a própria visão de democracia, largamente apregoada na sociedade. Se tivéssemos liberdade, talvez não necessitássemos tanto lembrar a necessidade de sua existência. A história da UNEAL está permeada de avanços e recuos. Sua estrutura de organização reflete a sua própria constituição.Irei conversar um pouco apenas de um período que conheci e conheço. São reflexões e por vezes digressões sobre momentos importantes de nossa história. A partir de meados da década de 1980, em meio ao processo de redemocratização brasileiro; elaboração de nova constituição; eleições para governadores e, posteriormente para Presidente da República; o impeachment de Collor e a permanência de governos autoritários em Alagoas, os ecos do privatismo econômico e ideológico da sociedade liberal, da visão neoliberalizante do governo Collor a resistência ao ensino privado fazia-se presente no interior alagoano. A lógica organizacional da sociedade capitalista, da própria constituição de 1988 que mesmo ao atribuir ao Estado a obrigação da educação pública e gratuita, também, acena com direito da família de educar, ao mesmo tempo em que insinua que a família capitalista poderia ter suas próprias escolas. Vozes contrárias ressoavam, em Arapiraca, diante a incongruência do abandono estatal. Estas ecoavam de forma a tentar se sobressair. São professores e alunos da então FUNEC (Fundação educacional do Agreste Alagoano), sendo a F.F.P.A. (Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca) a única Instituição de Ensino Superior do interior do Estado de Alagoas, que passou a dizer NÃO a lógica privada de ensino. A UNEAL, em seus 38 anos de existência teve que passar por momentos de crises, de angustias, sofrimentos. Estes se interconectaram com as vozes ressoantes do privatismo vigente. Neste jogo político-ideológico, a fundação mantenedora da UNEAL, FUNEC, jogava todas as suas cartas para a continuidade da F.F.P.A. como instituição privada. As lutas tiveram que acontecer, sob os parâmetros das condições objetivas da época. Mesmo sob a orientação privada, emergia suspiros de democracia eletiva. Escolhiam-se seus diretores entre os professores da Instituição. O jogo político também possuía seus entraves e o poder hegemônico, não necessariamente econômico, determinava às formas, as condutas, a vivência, o funcionamento da Faculdade. A raiz do poder como fantasma rondava seus algozes. A velha estrutura de poder esvaía-se. Em seu lugar, novas formas de conceber a educação. O velho dava lugar ao novo sem, entretanto, sucumbir as raízes que o engendrou. Velhas formas, novas formas, diferentes maneiras de manter a hegemonia. Buscou-se, por vezes, na velha estrutura, o caminho de organização da nova Instituição, agora de caráter público. FUNEC deixara de existir, sem perder os vícios que a alimentou por décadas. Passou a co-existir duas orientações políticas: a primeira, centrada na forma de organização político-administrativa, hierarquicamente controlada por seus políticos de plantão; a segunda, mais voltada para a organização interna. Não é preciso dizer que a primeira venceu tendo suas bases em criaturas por vezes sorrateiras que não viam o Ensino Superior para além da satisfação de seus interesses mais imediatos. Ampliava-se, assim, a política do clientelismo e do insulamento burocrático.O Estado alagoano e seus lacaios, aos poucos transformavam a “nova” Instituição em um grande cabide de empregos. Neste jogo político, perdeu a comunidade acadêmica; a qualidade de ensino; a organização democrática; o processo eletivo. Internamente, valores antes apregoados e por vezes defendidos por muitos, tenderam a cair no esquecimento e abandono. A ladainha que se expandia, estava voltada para a crítica ao pé de parede. Os destinos da Faculdade estavam entregues, de mão beijada, a novas pessoas, mas velhas práticas. A comunidade acadêmica, não conseguia estender suas visões para além de cochichos. Como deitada eternamente em berço esplêndido, não conheciam outra forma de conceber o ensino superior senão aquela praticada por quase duas décadas onde prevalecia o mandonismo quer de seus antigos gestores quer sob a nova ordem do intervencionismo estatal. Restaram poucas vozes. Entretanto, seus gritos, acordaram parte da comunidade acadêmica. Enquanto a nova ordem nacional clamava aos defensores do neoliberalismo a obediência cega a alavanca que norteou as novas diretrizes sociais: a centralização dos interesses individuais frente a qualquer perspectiva coletiva. Na recém criada FUNESA ressuscitava forças vulgares que ocultava as entranhas do conservadorismo, do mandonismo, do tradicionalismo tacanho sem rosto e sem alma. Paralelamente, resplandecia a partir das vestes mortuárias do antigo privatismo, o fulgor de forças que faziam política sem abraçar a ignorância generalizada da possível ausência de uma ideologia que, dentre outras coisas, se apresentava como sem ideologias.No gerenciamento da FUNESA para que não restassem dúvidas do retrocesso político, caras velhas se insurgiram das cinzas. Velhas também eram suas teorias, sua prática administrativa sob a roupagem do moderno, da necessidade de crescimento positivo, da ampliação de cursos e do privatismo disfarçado em taxas. Tudo isso, sem um devido estudo que embasasse tal organização. As forças conservadoras passaram a determinar o destino administrativo sob a égide de um politicismo vulgar, centrado nos interesses de grupos políticos econômicos de uma minoria afoita que possuía como intuito maior, manter a pequenez de seus interesses, mesmo que estes estivessem aquém da importância de uma Instituição que se ampliara para diversas localidades no Estado. Não importava a que custo, a quem beneficiasse. O que estava em jogo era a lógica da sustentação política. A comunidade acadêmica, atônita, deixou que direitos conquistados a duras penas, sob ameaças, intimidações, advertências e pressões fossem sorrateiramente dispersados, revestidos de práticas democratizantes. Estavam postas as condições da lenda do lobo em pele de cordeiro. Dizia-se que era preciso reestruturar a FUNESA, (e hoje, a UNEAL) reorganizá-la para que pudesse caminhar forte. Parecia a lógica da Ditadura apregoando a necessidade de deixar crescer o bolo para repartir depois. Como toda mentira possui pernas curtas, não custou para que os diretores-presidentes, a princípio temporários, se tornassem, não hereditários, pois o jogo político no Estado de Alagoas não permitia tal situação, mas passageiros. Acabaram com a escolha dos representantes legais por seus pares, substituindo por sucessivos gestores. Alguns duravam tão pouco, que quase não se percebia sua presença, se não fossem os estragos que ocasionavam.Acobertando interesses, estava um exercito de mercenários, ávidos por poder, prontos para assegurar que a mesquinhez de desejos mais tacanhos os elevasse a condição de benfeitor, benevolente, desprovido de desejo pessoal. Todo mercenário, como lembrou bem Maquiavel (2000), em o Príncipe, estaria mais disposto a atender seus negócios do que daqueles que o colocou no poder. Monta-se o mito do diretor-presidente preocupado com a FUNESA. Este com não raríssimas exceções, estava pronto para colocar a Instituição em um pedestal de vidro que de tão frágil, tenderia a quebrar. Instala-se o mito, também, de que apenas por ser um professor da Instituição, estaria em sua defesa. Estes dois mitos custaram caro. Interconectados, estavam prontos para defender a qualquer custo os interesses pessoais, os cargos que lhes foram conferidos. Não importava mais, se estes fossem apenas legitimados por interesses obscuros contrários ao desenvolvimento da Instituição, aos companheiros de profissão e ao próprio desenvolvimento do conhecimento.Foi preciso que um grupo pequeno é verdade, que na ausência de outro nome apropriado, mas tendo por base denúncias concretas, destituísse o pedestal de vidro, publicizasse suas ações, denunciassem os desmandos existentes na Instituição para que tal situação não continuasse ocorrendo. Este movimento, conhecido como Pró-FUNESA, passou a exigir que o processo democrático fosse retomado com a eleição de coordenadores, diretores de unidades e coordenadores de curso. O Departamento de Assuntos Sociológicos (ASO) dos cursos de História e Geografia, da F.F.P.A foi pioneiro nessa luta, elegendo contra a vontade dos gestores, o coordenador dos cursos. É bem verdade que a grande conquista esteve mesmo no ato de demonstrar que aqueles que eram considerados cordeiros nunca admitiram tal alcunha. Ainda não era percebido que para acabar com a árvore ruim, não poderia apenas cortar suas folhas e galhos. Seria necessário atacar a raiz. Esta, na UNEAL, estava centrada na lógica da privatização, nos absurdos da administração. Tivemos erros e acertos. A própria ampliação dos cursos superiores em diversas unidades, pôde favorecer a resistência, ao mesmo tempo em que, ávidos por poder, a rede de mercenários foi expandida também para as novas unidades.Novos rumos estavam surgindo. Demonstrou-se que a mesma força que determinou a cobrança para que os concursados de 1994 fossem obrigatoriamente empossados, através de determinação legal, não se sujeitava as regras do mandonismo autoritário. Sofreram muitas perseguições. A professora Josineide Francisco, atualmente lecionando Sociologia no curso de Medicina da UFAL, e na época contratada na FUNESA, foi demitida sem justa causa. Voltou a lecionar, por pressão dos alunos que, literalmente, pararam a Instituição, demonstrando aqueles que ainda achavam que a FUNESA era o quintal de sua casa, que não podiam tanto quanto pensavam. De forma semelhante, alunos eram “convencidos” a abandonar o movimento. Aqueles que resistiam a vestir a pele de cordeiro, também sofriam represálias. Tanto naquela época como atualmente, sempre existiu o exército de reserva da elite abastarda que, mesmo sem os louros, se submetiam a seus interesses acriticamente O movimento Pró-FUNESA, tendo entre suas lideranças o Professor Artur Bispo, atualmente lecionando no curso de Filosofia da UFAL, reativou o sindicato dos professores e, participou ativamente das denúncias. Outros professores, sem desmerecer aos demais (que não foram tantos) também fizeram parte dessa luta, a exemplo dos professores Washington Alves, José Carlos Pessoa. A estrutura do velho sindicato tinha caducado. Mesmo existindo há anos, não correspondia, a contento, os anseios dos professores, justamente por sua funcionalidade restrita e/ou inexistente. Exigia-se concurso público, ensino público, gratuito e de qualidade, 40 horas e dedicação exclusiva, plano de cargos e carreira, além de melhorias voltadas para o movimento estudantil, dentre outras coisas. Em 2002, foi criado em conjunto com professores e alunos, um Movimento de Luta pela FUNESA Pública e de Qualidade culminando com a criação oficial do sindicato da FUNESA (SINDFUNESA).
Denunciou-se a condição da FUNESA onde possuía “apenas cerca de 30% dos professores efetivos e mais de 70% dos professores contratados como mão-de-obra barata e rotativa: sem direitos trabalhistas e sem nenhum incentivo a pesquisa e extensão (...). “Com o apoio do ANDES, a nossa luta hoje, se dá pela legitimação do sindicato, concurso público para professores e plano de cargos e carreira. Informes prestados por Amaro Hélio Leite da Silva (ANDES, 2002: s/p)”. Como podemos perceber, a luta é antiga e, ao mesmo tempo, apenas começou.Em nossas reuniões, sofremos abusos, a ponto de um Diretor-presidente decretar que não era permitido reuniões públicas extra-atividades escolares no interior da FUNESA (seja qual for o entendimento que se tinha). Reativou-se, para tal, um decreto da Ditadura Militar que proibia tais acontecimentos. Fomos chamados de “Virus”, em alusão a um “animalzinho” que destrói sorrateiramente. Temiam-se os coveiros que ajudaram a criar. O capital e seus lacaios não podem determinar de antemão qual o desenrolar de suas ações, mesmo que tudo faça para que tal situação ocorra.Sentimos que incomodávamos. Nossos anúncios e denúncias estavam surtindo efeitos. Agora podiam se preocupar com a existência de entidades privadas, usufruindo das benesses do poder público com o aval incondicional de seus dirigentes. Percebemos que as conquistas ocorriam. Incomodava o poder público estadual, a ponto de, não irmos até eles, mas, por vezes vinham até nós. Defendíamos que a sede da Instituição é em Arapiraca e que o poder público como gestor, deveria tomar ciência do seu papel.Estava posta as condições objetivas para que o velho fantasma do autoritarismo fosse suplantado.

A FUNESA afundava em denúncias. Os jornais no Estado, já não podiam mais fingir que a Instituição não existia. O autocratismo ruía-se. Estava envolvido na própria teia de aranha que construíra. Seu algoz fora criado por quem supostamente deveria alimentá-lo.Aqueles que podiam soterrar a incoerência administrativa eram os mesmos que insurgiram da docilidade esperada. Entretanto, cometeram o erro de subestimar o poder estatal. Ainda não estavam preparados para entender que seria necessário observar o passado, aprender com seus erros e acertos, mas jamais alimentá-lo e reproduzi-lo. Era preciso perceber que não bastariam novas formas, com velhos gritos de guerra, clamando para que práticas, pessoas e organizações fossem reativadas sem um devido cuidado sobre como tais situações ocorreriam. Assim, como o velho Marx fala em O 18 de Brumário

"A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens (MARX, 1974: s/p)".

Trazer a luz os fatos e acontecimentos servem para que possamos manejá-los. Urge a necessidade de assimilação de novos caminhos, sem esquecer as velhas práticas de subjugação. Não significa substituir acriticamente nem desprezar seus feitos. Foi realizado apenas aquilo que as condições objetivas propiciaram. Seria necessário avançar.Passamos por vários momentos impares na Instituição. Atingimos a realização de concurso público, a necessidade de qualificação profissional, o mérito por competência em cada área do conhecimento. Atingimos forças que há 20 anos eram consideradas distantes. Retomamos o direito sagrado de escolha dos dirigentes de forma democrática. Afastamos o fantasma da perseguição por divergência de opinião, mesmo que em um ou outro momento ele teime em ressurgir das cinzas.

A presença de novos professores, a partir de 2004, redimensionou o papel da FUNESA. Cursos foram criados ou ampliados, a pesquisa que antes era restrita, pôde, enfim, ser realizada, senão a contento, devido novos valores institucionais, por vezes aquém dos interesses de professores e alunos, puderam expandir a capacidade de produção do conhecimento. Paralelamente, denúncias de improbidade administrativa eram apresentadas na mídia. A Gazeta de Alagoas divulga, em 11/11/2004, uma manchete sugestiva: “Ex-presidente da Funesa vai ser investigado”. No dia seguinte, em 12/11/2004, outra mais interessante ainda: “Lessa exonera presidente da Funesa por telefone”. Foi preciso apenas que um ex-presidente pudesse ser denunciado, a partir de um relatório da Controladoria Geral do Estado (CGE) para que a velha ordem voltasse a vigorar. A FUNESA passou a fazer parte da mídia em diversas reportagens nem sempre honrosas, a saber: “Universidade em Alagoas tem sete cursos fantasmas (O Globo 12/01/2001); MP analisa denúncias contra Funesa (O jornal, 10//04/2006); irregularidades na Funesa será investigada por novo diretor (O jornal, 23/04/2006); MP ainda não recebeu denúncia formal sobre desvios na Funesa(O Jornal, 05/05/2006); Brito quer investigar denúncias de irregularidades na Funesa(O Jornal, 20/06/2006); Funesa terá que afastar servidores irregulares(O jornal, 15/09/2006); PRT dá prazo para Universidade estadual fazer concurso(PRT, 11/09/2006).
O certo é que ninguém sabe o resultado das denúncias a não ser quem se omitiu em investigar ou publicizar. A FUNESA, até então uma Fundação se transforma em Universidade, dentro da lógica de autonomia relativa apregoada na LDB/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação). Esta conquista, honra a todo professor e aluno que se preocupa com a Instituição. Apresenta possibilidade para ampliação de saberes, de gerência administrativa, de organização política democrática. Agora somos nós, efetivamente, professores, alunos e funcionários que detemos os rumos da Universidade. Não significa dizer que não existe ou existirá ingerência política de cunho conservador para manutenção de interesses mesquinhos. Significa que não cabe, como nunca coube, apenas aos governantes o papel de estabelecer o que a Universidade deve fazer. Nosso papel vai além. Nossa postura exige comprometimento com a causa pública, com os interesses da comunidade acadêmica e a superação das relações de subserviência.Não adianta termos a alcunha de Universidade se agimos como fôssemos uma faculdade isolada, desprovida de autonomia gerencial e de produção do conhecimento.

A nova configuração da UNEAL aponta para rumos até então inimagináveis. Cabe, portanto, o rompimento com o burocratismo institucional e as práticas neoliberalizantes. Estas passam a tratar os cursos superiores como empresas, exigindo produção e produtividade, como se a lógica matemática, numericamente falando, da precisão, também pudesse ser aplicada a produção do conhecimento.Nossas práticas demonstram a teoria que abraçamos e o embasamento teórico que fundamentamos. A nossa postura educativa aponta para o tipo de Universidade que queremos. Infelizmente, coube a alguns profissionais da educação superior da UNEAL, o papel de ampliar a lógica privatista. Criaram-se cursos superiores lato sensu sem a prerrogativa de público e gratuito. O velho fantasma da privatização que rondava a Instituição por toda a década de 1990, passou a existir como se fosse de carne e osso. Sua concretude está espalhada em várias instâncias. Perdeu-se a perspectiva de ampliação do público sobre o privado e, como conseqüência, em um Estado que apenas os 10% mais ricos possuem 70% das riquezas, como é o caso de Alagoas, aqueles que podem pagar, são os privilegiados. E depois, dizem que defendem a UNEAL.Neste jogo de empurra empurra a UNEAL foi sendo colocada a escanteio. A UNCISAL (Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas), segundo a Tribuna de Alagoas, de 09/03/2006 teria tido, em conjunto com outras categorias reajustes salariais aprovados pela Assembléia Legislativa. Estava posto a criação do Ensino Superior de segunda classe. Este não precisava de melhorias, pois ajudaria a formar, em sua maioria professores, não prioritários nas gestões neoliberais. Nesse sentido, Marx (2001:14), em o Programa de Gotha questiona que a educação na sociedade capitalista, destinada as elites, não pode e não vai ser a mesma que a das classes populares. Já em 2005, em 21/10/2005, a tribuna de Alagoas estampava a seguinte manchete sobre a UNCISAL: “Governo apresenta proposta salarial para a saúde”. Mas, como em todo mundo subdesenvolvido existe outros em maior profundidade.

Os antigos professores da UNEAL, que sustentaram a existência da Instituição, mesmo com todos os ventos contrários: excessiva carga horária, impossibilidade real de qualificação profissional, manutenção de 20 horas de trabalho, sem progressão vertical ou horizontal e, sem reajustes salariais como estabelece a Lei, também perderam, inclusive a possibilidade de reivindicar direitos. 16,8 % apenas a partir de 2004. Enquanto a UNCISAL, co-irmã da UNEAL avança, retroagimos. O presente passa a ser a história, longe da concepção discutida acima. O velho passado, aquele dos interesses corporativos, politiqueiros, é a força propulsora do Governo Estadual e de seus correligionários. Professores e alunos, atônitos, esquecem direitos, lutas, liberdade. Voltamos a política do pé de parede. [3] O SINDFUNESA alertava sobre a seguinte situação:

"em Assembléia Geral ocorrida no dia 23 de novembro, os professores decidiram por maioria, organizar uma paralisação no início do ano letivo de 2007 caso o governo não atenda a pauta de reivindicação da categoria. A principal reivindicação é o regime de 40 horas para todos. A pauta de reivindicação é composta pelo regime de DE, a reposição salarial de 2005 e 2006, concurso para funcionários e professores e a revisão do PCC para garantir a imediata progressão por titulação. Até agora, o governo não tem feito nenhuma sinalização e nenhum canal de negociação foi concretamente estabelecido, apesar da intermediação da direção da UNEAL (SINDFUNESA, Dez/2006)."

O governo que prometeu e não cumpriu, desde 1994, renova em 2005, e também promete em 2008. Assim, como deistas, aceitamos viver de fantasias, esperando que algo venha do céu a terra pronto, acabado, sem revoltas, revoluções. Perdemo-nos em lutas puramente econômicas e, o Estado liberal, sabendo da fraqueza desse tipo de ação sem a conotação política, finge que não existimos. Professores, não sem razão abandonam o barco antes que ele afunde. Já são cerca de 40(quarenta). Não perdemos apenas os professores, mas a credibilidade na Instituição. Quem acredita numa entidade que trata seus pares como desafetos, achocalhando suas atividades, impondo de forma autoritária suas práticas verticalizadas. Sem falso profetismo, as prerrogativas do Banco Mundial para a educação, transformando a Universidade em uma grande e fracassada instituição de ensino de 3º grau com feições de ensino médio sem qualidade, tende a ser o futuro das Universidades em geral e da UNEAL, em particular. Não tendo profissionais devidamente habilitados, cairemos no paradoxo da necessidade da competência sem as ferramentas adequadas. Quando for possível perceber, talvez não exista Universidade pública para defender.Concluo citando um dos autores importantes para o movimento sindical, Lênin (1989). Em seu texto “sobre as greves” esclarece:Toda greve acarreta ao operário grande numero de privações, tão terríveis que só se podem comparar com as calamidades da guerra: fome na família, perda do salário, freqüentes detenções, expulsão da cidade em que reside e onde trabalhava. E apesar de todas essas calamidades, os operários desprezam os que se afastam de seus companheiros e entram em conchavos com o patrão.

E destaca: A greve ensina os operários a compreender onde repousa a força dos patrões e onde a dos operários; ensina a pensarem não só em seu patrão e em seus companheiros mais próximos, mas em todos os patrões, em toda a classe capitalista e em toda a classe operária (LÊNIN, 1989: s/p).As lições apresentadas acima estão completando 119 anos e, o mundo globalizado economicamente, tendeu, também, para globalizar a miséria, a fome e a opressão. Mudar a estrutura de poder requer dos envolvidos maior participação política, continuando de pé, mas longe das paredes do comodismo. “E apesar de todas essas calamidades, os operários desprezam os que se afastam de seus companheiros e entram em conchavos com o patrão”. Apenas fico assustado com tudo que foi explicitado com tamanha submissão. Espero, veementemente, que Lênin tenha razão.
[1] Texto escrito como forma de reflexão sobre alguns momentos da FUNEC/FUNESA/UNEAL 15/07/2008. O título é uma adaptação de trabalhos existentes, mas voltado para a Universidade Estadual de Alagoas.
[2] Antonio Barbosa Lúcio é Professor de Sociologia-UNEAL-CAMPUS
[3] A Assembléia Legislativa aprovou ontem (08/03/2005) projetos que prevêem reajustes nos subsídios de cinco categorias de servidores públicos estaduais. Os projetos foram aprovados por unanimidade entre os deputados. Foram beneficiados servidores das Polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) e da área de Saúde. No caso dos servidores dessa área, também foi aprovado um projeto que cria os regimes de trabalho normal, de urgência e de emergência.Postado por NEASR às 10:08 Marcadores: , ,
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